Relato sobre amamentação

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Amamentar era um dos meus sonhos. Achava que seria instintivo, ainda mais com o segundo filho.
Logo após o nascimento foi uma avalanche de emoções, eu chorava sem saber qual era o motivo, era o famoso puerpério.
No início, meus bicos ficaram doloridos e vermelhos, pensei que quando o leite descesse tudo melhoraria. Então, no terceiro dia, o leite chegou. Os dias foram passando e os bicos piorando. Rachaduras que viraram machucados, sangravam.
Diziam que era assim mesmo e que ia passar, mas a dor só piorava, os dois bicos estavam abertos ao meio, parecia que faltava pedaço.
Cada mamada era uma sessão de tortura. Meu corpo todo ficava rígido, sentia gosto de sangue na boca e chorava feito criança. Chegou num ponto de simplesmente não ter coragem de colocar o peito na boquinha dele. Ensaiava várias vezes e não colocava, e quando ele pegava eu puxava. O bebê cada vez mais nervoso, chorava, e eu chorava junto. Achava que estava fazendo da maneira correta, que a pega estava correta e assim foram passando os dias. Não conseguia colocar roupa, não dava pra encostar nos mamilos. Andava pela casa só de calcinha, pingando leite por todo lado. Além dos mamilos machucados um dos peitos começou ficar vermelho em volta da aréola. Durante a mamada era uma dor insuportável, que chegava até o cotovelo. Meu corpo tremia inteiro, tamanha dor. Comecei ficar com raiva da frase “Vai passar”. Pensava: “Quando?!!!!!”. Teve um dia que entreguei o bebê nas mãos do pai e disse: “ Ele quer mamar e eu não quero dar!”, saí chorando, fui para meu quarto, chorei me sentindo culpada, voltei pra amamentar e continuei chorando de dor.
Tinha passado um pouco mais de dez dias. Escrevi no Facebook que amamentar doía muito. Algumas pessoas responderam que era assim mesmo e ia passar, outras alertaram da pega, ofereceram ajuda, falaram das pomadas, sol, receitas caseiras; até que uma pediatra, que considero muito, disse: “Não é pra doer, se precisar de ajuda, me liga!”. Liguei no dia seguinte e ela me atendeu. Ela pediu para eu mostrar como estava fazendo e assim que levei o peito, ela disse: “Sempre leve o bebê para o peito e não o peito para o bebê”. Poxa! Eu já tinha escutado isso e porque não estava fazendo?!
Os peitos estavam muito cheios, ela me ensinou ordenhar para amolecer a aréola e facilitar a pega. Pela primeira vez ouvi algo diferente de “vai passar”, ela me olhou e disse: “Eu sei que é uma dor insuportável, você vai chorar, mas preciso colocá-lo pra mamar”. Senti um conforto, finalmente alguém me disse que sabia qual era o tamanho da dor!
Então tentou primeiro no peito que estava pior e eu chorei de soluçar, dizendo que não dava pra aguentar. Ela tirou e colocou no outro, que também doía, mas dava pra suportar. Após um tempo mamando a dor simplesmente sumiu. A pega e a posição estavam corretas agora! Diagnosticou mastite no peito que estava vermelho e me orientou a procurar um ginecologista . Orientou ordenhar o peito que estava com mastite e dar o leite no copinho até conseguir colocar para mamar novamente. Precisei tomar antibiótico.

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Voltei pra casa, mas ainda faltava a coragem de colocar no peito. Era um pega e solta que só me machucava mais.
Dispensei as visitas, afinal, eu estava vivendo pelada e com muita dor.
Uma amiga que também orienta na amamentação ofereceu ajuda. Ela passou dois dias posicionando o bebê e levando a cabeça em direção peito, que eu segurava, fazendo o “C” com a mão. Enquanto ele mamava, eu ordenhava o outro peito e guardava o leite para dar no copinho antes da próxima mamada, assim ele já ficava um pouco saciado. Tudo isso acontecendo e eu pensava se uma chupeta não ajudaria, depois pensei mesmo numa mamadeira. Chorei muito, dizia que não estava conseguindo amamentar. Já havia usado pomada de lanolina, vitamina E, estava tomando sol, passando o próprio leite e usando Bepantol derma. Pensei muitas vezes em desistir. Por muito pouco não desisti, mas sabia que seria frustrante demais! O que me confortava era o apoio do meu companheiro e o carinho da minha filha mais velha, que simplesmente me abraçava quando me via chorando. Minha sogra passou alguns dias comigo, ajudou demais com a casa e também me deu muito apoio na amamentação.

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Após três dias de antibiótico consegui colocá-lo para mamar.
Comecei a sorrir, finalmente estava conseguindo sozinha. No início das mamadas ainda doía bastante, mas a dor sumia conforme ele ia mamando. Eu disse a ele que o amava e que iria conseguir!
A dor foi melhorando, com uns vinte dias comecei me vestir. Estava cicatrizando, não sangrava mais, mas ainda estava muito sensível.
Com quarenta dias não tinha mais dor. Passou! Finalmente passou!
Hoje ele está com 4 meses, mamando em livre demanda e me emocionando com seu olhar que ultrapassa meus olhos e chega na minha alma. Ele sorri mamando, e eu também, amamentando. Eu consegui! Nós conseguimos!

Para quem desistiu por dor ou não conseguiu amamentar por qualquer outro motivo, deixo meu abraço. Passei por isso na primeira vez e sei o quanto é difícil.

Para quem está vivendo algo assim, não vou dizer que “vai passar”, nesse momento digo: eu sei que a dor é insuportável, mas você vai conseguir! Um forte abraço.

***

Itaiana Battoni, é artista plástica.

Mãe da Lavínia e do Raul.

Transformou em arte este momento maternal.

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Ita, minha admiração e orgulho de você só aumentam.

Quanta generosidade em compartilhar um momento tão delicado e, assim poder contribuir com o encorajamento de quem enfrenta o mesmo dilema.

Certamente, muitas mulheres se lembrarão de você antes de desistir!

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Aleitamento Materno: uma vitória para toda a vida

Hoje é o Dia Mundial da Amamentação e o início da Semana Mundial do Aleitamento Materno – que vai até o dia 7.

Amanhã (02), acontecerá a terceira edição da Hora do Mamaço, evento que ocorre simultaneamente em diversas cidades do país.

O objetivo é reunir mães e bebês em um grande movimento de amamentação pública e pacífica para a conscientização da sociedade do Ato de Amamentar.

Aqui em Natal, o encontro será às 10h no Parque das Dunas. Participe, indo ou fortalecendo o movimento.

Você pode fazer uma selfie e postar com as tags #horadomamaço2014 #mamaçovirtual.

Carol amamentando o Theo. #mãeíndia

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Chame a Tazia

Amamentar para mim foi tão natural…

Théo nasceu com a pegada certa (boquinha de peixe).

Não tive rachadura e o leite desceu com tudo!

Quanto mais ele mamava, mais enchia.

Mas muitas mulheres enfrentam dificuldades para amamentar.

O apoio é fundamental, seja da família ou de um profissional.

Minha cunhada contou com o serviço de uma técnica de enfermagem.

Em fevereiro, quando nasceu meu sobrinho, conheci a Tazia.

Ela é um doce de pessoa e trabalha há 13 anos orientando as lactantes.

Há 15 dias, nasceu o neto de um colega de trabalho.

Ele comentou que o bebê estava com dificuldade para mamar.

Disse para ele: chame a Tazia. Resposta: ah, ela já está lá!

Liguei para ela hoje e conversamos sobre amamentação.

Hoje em dia, as mulheres estão voltadas para o trabalho. Então, elas se preocupam com o mundo externo e não se preparam para o momento. Amamentar é um ato de doação. Mas quem passa por uma fase difícil e precisa de ajuda eu vou incentivar. Mostrar que ela tem capacidade. Vejo como está sendo, avalio e tiro as dúvidas. Mostro a posição e a pega. Muitas vezes, o peito racha com a pega incorreta. Então, eu corrijo para que isso não atrapalhe.

E para quem está esperando uma menina e vai querer furar as orelhinhas, é com ela também.

Tazia recomenda que isso ocorra na primeira semana após o nascimento.

Se quiser ainda, ela faz a coleta do sangue para o teste do pezinho.

Já pensou: não precisar sair de casa com o bebê???

Essa é uma opção exclusiva da Promater.

Consulte antes para mais informações.

Tazia Maciel: 9461-6419/8778-5031

anne

Ilustração esperta da francesa Anne.

Amamentar tem o lado prático. Na madrugada, você não precisa levantar para preparar o leite. É só dar o peito!

Volta ao trabalho x Amamentação

Uma amiga que acabou de retornar ao trabalho após a licença  maternidade me ligou para tirar uma dúvida.

Como fica a carga horária da lactante depois que ela volta as suas atividades profissionais?

Por lei, a funcionária tem direito a meia hora em cada turno para amamentar o filho até que ele complete seis meses.

No meu caso, como voltei quando Théo tinha cinco meses, passei um mês saindo no final do expediente uma hora antes.

Achei melhor juntar, mas isso foi acordado previamente com a empresa. Muitas mulheres também fazem essa opção.

Théo ficava com a babá na casa da minha mãe e na hora do almoço eu corria para dar o leitinho do peito.

Se você está passando por essa fase, leia a Cartilha para a Mãe Trabalhadora que Amamenta, uma iniciativa do Ministério da Saúde para orientar e esclarecer dúvidas sobre o aleitamento na volta ao trabalho.

Informe-se e boas mamadas para a cria crescer forte e saudável com muito amor de mãe!

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Ilustração inspiradora da francesa Anne.