Mãe guarda as seringas usadas durante a gestação e o resultado é um ensaio newborn cheio de amor

Foram mais de 300 injeções de anticoagulante também conhecidas como #picadinhasdeamor. Um relato emocionante de uma mãe que enfrentou a trombofilia para realizar o sonho de ter o segundo filho.

Meu nome é Isabel, tenho um filho de 15 anos de uma gestação normal sem nenhuma intercorrência de parto cesariana em 2002. Até os nove anos dele eu não queria ter mais filhos.
Descobri meu segundo positivo em 2011 e me apaixonei de primeira pela ideia da maternidade pela segunda vez. Perdi com seis semanas. Um aborto retido,  doloroso, alma ferida… Já amava muito meu filho.
Em 2013, engravidei novamente depois de tanto tentar e esperar. Perdi também nas mesmas circunstancias do primeiro aborto. Seis semanas, retido, outra curetagem depois de dez dias que soube que ele não tinha mais vida. Sofri tudo!
Não desisti do sonho plantado no meu coração e fui em busca de respostas para as minhas perdas em 2014. Ginecologista,  obstetra, geneticista, hematologista, endócrino  (tive um tumor hipofisário que dificultava engravidar)… Enfim, descubro-me trombofílica. Uma pancada em mim. Não sabia de nada sobre essa condição. Desesperei-me,  achei, por um instante, que talvez não conseguisse mais ser mãe novamente.
Em 2015 o mais esperado positivo… Desespero, alegria, medo, amor tudo junto. Já com o diagnóstico em mãos, sabia que teria que tomar todos os dias uma injeção anticoagulante. Isso seria doloroso mas a alegria de uma nova chance com tratamento me deixava um pouco tranquila.
Na primeira ultrassom, uma grande surpresa… Eram dois, gêmeos.  Eu não cabia em mim, a felicidade era astronômica. Meu Deus… Gêmeos! Família enlouquecida… O medo do tratamento não dar certo e a alegria de ser gêmeos.
Fui na fé…
Sofri dobrado.
Síndrome do transfusor transfundido – STT, trombofilia e cirurgia intrauterina. Primeira internação na MEJC – Maternidade Escola Januário Cicco por uma semana depois de duas tentativas de realizar uma amniocentese sem sucesso. Segunda internação em Recife no IMIP – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira para realizar a cirurgia intrauterina na tentativa de viabilizar o fluxo sanguíneo para os dois bebês já que só um estava recebendo normalmente e o outro não e também para retirada de 3,5 l de líquido amniótico em excesso. 13 dias de internação, deu tudo certo. Voltei pra casa com meus filhos quase no mesmo peso… Uma semana depois tive uma paralisia facial, quatro dias depois meus bebês não mexeram mais. Perdi-os para a trombofilia.
Pior dia da minha vida… Desejei a morte também. Eles já estavam com 27 semanas, tínhamos todo o enxoval, a família toda envolvida, meu filho ia realiza o desejo de ter um irmão.
O obstetra que me acompanhava disse que eu não tentasse mais. Depressão, choro, desespero, surto, perda de peso, insônia… Muita medicação pra tentar manter o equilíbrio perdido. Eu não tinha mais vida.
Quatro meses depois, já em 2016, pra minha grande surpresa eu estava grávida novamente. Mais uma vez um misto de sentimentos, aflição em pensar que eu poderia viver tudo novamente me destruía. A alegria que senti em saber que mesmo em meio a uma tristeza profunda Deus não tinha esquecido de mim e me dava mais uma oportunidade e eu não podia deixar escapar. Coloquei minha dor de lado e fui cuidar do meu filho que já crescia dentro de mim.
Mais de 300 injeções, AAS*, todas as vitaminas que se pode imaginar. Pré-natal a cada 15 dias, repelente em todo corpo toda hora. E na minha cabeça e coração só se passava: eu vou vencer a trombofilia!
Meu Benício nasceu com 36 semanas tão bem que ficou comigo até o último ponto ser fechado pelo obstetra. Minha família toda na maternidade… Eu tinha sonhado com aquele dia muitas vezes… Hoje ele é minha vida, minha maior alegria junto com o irmão.
Quando descobri a trombofilia, em 2014, entrei em um grupo no Facebook chamado Trombofilia e Gestação. Cada mãe faz uma foto do seu tão sonhado filho com as seringas. Eu eu a fotógrafa optamos pelo coração com ele dentro e tive a ideia de colocar uma na mão dele para passar a mensagem que com o tratamento é possível realizar o sonho de se ter um pequeno mesmo com trombofilia.
Ainda que muito triste com todas as minhas perdas,  no mais profundo do meu íntimo eu sentia que minha história como mãe não tinha acabado ali diante daquela dor insuportável que foi ver meus dois filhos sem vida. Eu ainda teria o colo cheio novamente… Sempre acreditei nisso. Não desistam de um sonho plantado no coração… Deus realiza milagres.
*A aspirina tem efeito anticoagulante.

É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança {provérbio africano}

O dia das mães vem carregado de emoções.

A maternidade envolve tantos sentimentos.

Você quer ter o controle de tudo (mas não tem).

É uma grande responsabilidade (talvez a maior de todas).

Daí que nasce a famigerada da culpa (da mãe, é claro).

E onde eu quero chegar? Na aldeia. Uma rede ativa de apoio.

Por uma maternidade com mais acolhimento e menos julgamento.

A gente sabe que filho não vem com manual.

É uma descoberta maravilhosa mas desafiadora.

Você testa seus conhecimentos e limites.

Sempre tentando acertar mesmo falhando.

Nós, mulheres mães, merecemos respeito.

Cada uma escolhe sua maternagem.

Nenhuma nos faz melhor ou pior.

Vamos distribuir mais amor e empatia.

Principalmente, para as mães solos.

Juntas nos fortalecemos!

Ela teve hiperêmese gravídica, hipovitaminose e um parto normal

Aos dois meses eu tive uma hiperêmese gravídica. Enjoei tudo na vida, não conseguia nem tomar água. Enjoei ar condicionado, não comia nada, tinha que ser internada para ser medicada todos os dias. Litros de soro, vitaminas e complexo B, sendo furada várias vezes para conseguir acesso pela desidratação. Horrível, mas por ela eu poderia ser furada 100 vezes se fosse preciso. Tive infecção urinária, já que não conseguia tomar água e colocava tudo para fora, só conseguia ingerir o mínimo. Algumas vezes, era medicada em casa com uma enfermeira, mas a maioria no hospital, praticamente todos os dias!!! Com isso, tive uma hipovitaminose da vitamina B, que afetou minha função motora, muita dor nas pernas, mãos, câimbras, dormência e muitas quedas (sim, eu não conseguia andar sem ajuda de alguém). Sofri minha última queda com oito meses, até para tomar banho tinha que ir acompanhada com medo de cair no box do banheiro. Muita luta, choro, hospitais, furadas, medicamentos e sofrimento. Vim conseguir comer com quase sete meses, poucas coisas. Tinha noite que eu chorava para comer qualquer coisa e conseguir ficar com isso na barriga. Resultado: era a madrugada vomitando e idas à maternidade. 😭😭 Minha mãe, esposo, família enfim, todos sofriam juntos! Perdi 15 quilos grávida. 😱 Queriam tirar minha bebê a partir das 35 semanas, mas eu sabia que ia conseguir ter parto normal quando ela estivesse pronta! Deus me abençoou tive Valentina de 40 semanas e dois dias de parto normal, com peso e saúde excelente! Eu associava que precisava ter forças nas pernas, mas a força vem de dentro é surreal, fiquei em transe totalmente. Várias vezes gritava que não ia conseguir, duvidava da minha própria capacidade de parir toda hora, meu marido e minha mãe foram fundamentais no meu trabalho de parto ativo. A caminhada foi difícil mas eu consegui, hoje ela está com seis meses de pura gostosura e saúde! E a minha palavra principal é GRATIDÃO a esse Deus maravilhoso que não me deixou desistir de lutar em nenhum momento pela minha baby, onde tantas vezes eu duvidei da minha própria capacidade de parir!!! O que eu quero dizer com esse texto? Apenas que o extinto de mãe supera tudo e qualquer problema.

Relato por  Jéssica

Carta para minha filha

Filha, esta carta é para te lembrar o quão especial é ser mulher.
Mas por favor: antes de enumerar mil e um motivos sobre o que você leu do quão difícil é ser mulher nos dias de hoje, permita-se ouvir.
Nós temos o poder de sentir o invisível: de agir com o amor, mesmo agindo com a razão (quem foi que te disse que essas duas coisas não podem andar de mãos dadas?!).
Quem é capaz de gerar uma vida, é realmente o oposto do sexo frágil.
Desejo que você sinta seu coração palpitar por muitas e muitas pessoas. Que você acorde querendo distribuir amor, e que isso não seja visto como um problema para aquele(a) que você escolher dividir a vida.
Que você faça muitos corações pulsar tendo garra para lutar contra toda e qualquer injustiça.
Que você diariamente se proponha a ser a mudança que você quer ver no mundo.
Que você cuide do mundo todo, unindo a mistura que só nós mulheres conseguimos unir: coragem e doçura.
Que siga sendo o equilíbrio entre força e leveza.
Desejo que você multiplique seu tempo se isso te der prazer. E quando não te der, que você aceite que não dá pra abraçar o mundo todo de uma só vez.
Que você um dia experimente a sensação deliciosa de ser mãe, se essa for sua vontade. E se não for, que você possa ter por perto, muitas e muitas crianças para te lembrarem diariamente o que realmente importa na vida e como é fácil ser feliz.
Aliás, não se preocupe em querer ter o melhor currículo. Ou se preocupe se isso aquecer seu coração. Mas lembre-se que mesmo tendo pós-doutorado e muitos MBA’s , o que você vai aprender de mais valioso, acontecerá durante a troca de experiências com alguém.
Não deixe que te façam acreditar no “milagroso poder do Diazepam”. Saiba que existe algo chamado sororidade que é muito mais eficiente. E para isso, seja parceira. Abrace suas amigas, ofereça seu colo, seja o porto seguro uma da outra. O universo é generoso com quem deixa a porta do coração aberta.
Não acredite também no “Projeto Verão” daquela blogueira diva. Ela recusa vários cafés da tarde com boas amigas para “conquistar” aquela barriga chapada. Não se empenhe em “conquistar” coisas a mais. Ou kg a menos. Você não precisa disso pra ser feliz. Conquiste pessoas, isso sim valerá a pena!
Cuide do seu corpo por ele ser o templo que envolve sua alma. Aliás, cuide de sua alma ainda mais. A beleza interior transborda pro externo.
Seja aquilo que você quiser ser. Permita-se escolher toda e qualquer profissão ou atividade, e use como maior critério nessa escolha, aquilo que te faz feliz.
Seja bailarina se assim você quiser. Ame cor de rosa, vestidos, e saiba tudo sobre as princesas se isso for motivo pra fazer seu coração disparar. Senão, saiba que tá cheio de outras coisas e cores que podem te fazer feliz.
Seja jogadora de rugby se isso te fizer sorrir. Entenda que você pode ser tudo que sonhar: de trapezista de circo a presidente da ONU.
Dance com a vida. Sorria quando te disserem que você não está preparada para determinada situação. Não se deixe abater, escute somente seu coração e siga em frente naquilo que você se propuser a fazer.
Aceite seu corpo; seu cabelo e mude somente quando (e se) isso for sua vontade própria.
Não enxergue a maquiagem como sua melhor amiga. Tá cheio de mulheres incríveis por aí, dispostas a serem suas amigas, que vão te fazer gargalhar e proporcionar momentos deliciosos, te deixando ainda mais maravilhosa que o kit completo da MAC.
Escolha qual mídia te representa. Escolha qual mulher você admira. E se isso não for opinião da grande maioria, não se preocupe, as diferenças existem para serem celebradas!
Escolha pra dividir a vida alguém que saiba que somos incansáveis, e que ao mesmo tempo, esteja disposto a ser seu melhor aconchego. Não aceite nada menos do que RECIPROCIDADE: seja no amor, seja no cuidado com a família, seja na divisão de tarefas, seja no sexo, seja na troca de experiências. E quando estiver cansada, permita-se descansar. Você é humana!
Sua felicidade não é responsabilidade de ninguém além de você mesma.
Viva diariamente o lema do “Mais Amor, Por Favor”: busque qualquer coisa que seu coração pedir, mas busque sem deixar de lado, o distribuir de amor nessa jornada.
Seja a parte boa do mundo que estamos construindo.
Respeite todos os valores e diferenças.
O mundo é muito mais especial por você existir.
Viva feliz!

De Gabi para Alice

Mulher, mãe e desempregada: sou eu

Hoje meu filho chegou da escola com a agenda nova (as aulas começaram em janeiro e passou esse tempo todo com uma provisória).

Quando abri e vi que ele tinha preenchido os dados fiquei orgulhosa!

Colocou que tinha alergia à poeira e no campo doença a considerar escreveu torse.

Responsáveis: nome do pais. Ao lado, em trabalho, ele preencheu com o nome da empresa que o pai trabalha e para mim escreveu nem um.

Comecei a fazer cócegas nele brincando e dizendo: mas rapaz, porque não colocou que eu trabalho aqui no condomínio.

Sei que naquele espaço de 2cm não caberia o tanto de coisas que faço para ganhar um dinheirinho nesses últimos tempos de crise.

Sei também que Théo reconhece todo o meu esforço para dar conta desse “tanto de coisas”.

Um dia antes da minha demissão, um domingo, ele estava deitado para dormir e pediu para eu trabalhar em casa.

Afinal, criança de tempo integral sente falta de “morar em casa” (como ele dizia).

Mas o que eu vou fazer? Biscoitos! Acho que já contei essa história aqui.

E assim, meu filho, aos sete, deu uma aula de empreendedorismo.

Sabores e suspiros (por favor, não usem pois preciso patentear hahaha).

Com direito a slogan: uma explosão de sabor na boca.

Nem receita de biscoito eu tinha, minha gente!

Meses depois achei uma de amido de milho e leite condensado.

Fizemos enroladinhos com goiabada e ficou uma delícia!

Tudo que apareceu ou que eu inventei de fazer quem estava lá?

Uma vez, ele foi para um evento onde eu era expositora.

Tinha um crachá para mim. E o meu? Fez no verso o nome dele.

Sabem feirante, que fica anunciando leve 3 pague 2. Pronto. Era o menino.

Agora só não me perguntem onde ele aprendeu porque eu não sei.

Semana passada, recebi uma encomenda e ficava até de madrugada fazendo.

Quem queria ficar comigo? Não pode, já é hora de dormir. Ele volta com um bilhetinho…

Nós dois de palitinhos com as mãos dadas. 웃웃

De Théo. Para: Carol. Eu te amo mãe. Você é muito divertida e esperta. Boa sorte.

Ontem, na cama, mostrei para ele que a Saraiva estava com desconto em alguns livros.

Se você fosse escolher um livro para mim qual seria. Ele clicou na categoria Mulheres que fizeram história e apontou para Cleópatra.

No São João de 2013, na pescaria, ele escolheu um presente para mim. Um rodinho lilás. Inclusive, super útil para puxar o controle quando cai embaixo do sofá. Também não preciso fazer contorcionismo para limpar por fora as quatro janelinhas da cozinha.

Ser essa mulher louca por limpeza ou sem trabalho não me define tão bem quanto ser a mãe que ganha recadinho de amor do filho.

Ah, e o melhor de tudo! Ele conhece meu gosto literário.

Ei filho, mamãe também está fazendo história!

>>Já passa da meia noite então, usei uma foto que achei da agenda do ano passado só para ilustrar o post.<<

Conheça o projeto fotográfico “Meu arco-íris”

O Projeto Meu Arco-Íris traz fotos de famílias com relatos dos seus bebês arco-íris.
Mas o que são essas crianças? São filhos que chegam após um luto.

O arco-íris não é capaz de anular os danos causados por um temporal e nem diminui os transtornos vividos em uma tempestade… Mas traz de volta a cor, a alegria e a esperança!!!

Casos de perdas gestacionais são mais comuns do que imaginamos e acabam por resultar em um ou mais abortos. Episódios traumáticos na vida de qualquer mãe e por muitas vezes chegam a tirar o sonho de gerar um filho.

Além de simbolizar a renovação e a esperança da chegada do “sol após uma tempestade”, o arco íris carrega outro lindo significado que jamais pode ser ignorado quando falamos de fé, amor e esperança. Também representa a aliança de Deus com o mundo e a promessa de que Ele sempre está conosco.

“Eis o sinal da a aliança que faço entre mim e vocês e toda a criatura viva, por todas as gerações vindouras: Ponho meu arco na nuvem – ele permanecerá ali como sinal da aliança entre mim e a terra.” (Gênesis 9:12-17)

Eu não poderia deixar de demonstrar o tamanho do meu RESPEITO e CARINHO por essas famílias guerreiras e por seus “pequenos-grandes” milagres. Então, resolvi criar esse projeto.

As fotos antes de tudo são uma homenagem a todas as “famílias arco-íris” e uma forma de mostrar às outras mães que elas não estão sozinhas, uma vez que o assunto ainda é evitado e elas muitas vezes não conseguem dividir a sua experiência.

Algumas mães evitam falar com as pessoas sobre o assunto, mesmo querendo gritar pro mundo sua dor sentem vergonha de se expor, porque não há espaço pra esse tema ser debatido. Há ainda o julgamento: pessoas acham que as famílias devem superar rápido, menosprezando a dor alheia… Assim como a cobrança: “superaram mais rápido do que deviam” culpando esses pais por estarem felizes de novo.

Sabemos um filho não anula outro, ou apaga uma dor vivida… Mas traz a alegria de volta e que as famílias podem sim se permitirem serem felizes de novo, com todo respeito e carinho pelo que aconteceu, mas sem se sentirem culpadas por voltarem a sorrir após uma dor.

Com o projeto, esperamos espalhar a ESPERANÇA, a ALEGRIA e o AMOR. Também trazer à tona assuntos importantes que devem ser debatidos e conhecidos. E claro: deixar registrado que milagres acontecem todo dia ao nosso redor!!!

Ana China, fotógrafa de famílias.


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Camila Costa, mãe de Alice (3 anos). Perdeu um filho na gestação devido a uma gravidez tubária:

Vou tentar falar de forma sucinta sobre a experiência que tive. Vamos dizer que foi a minha chuva com cinzentas nuvens. Engravidei pela segunda vez, em meados de 2012. Tudo normal, até eu fazer a primeira ultra e a médica não visualizar nada no ultrassom; “deve ter sido uma ovulação tardia”, disse ela. A GO que me assistia na época, apenas disse que eu era a paciente mais ansiosa que ela tinha. Simples assim. Mandou eu fazer um beta quantitativo, que bateu com o número de semanas que eu estava: oito semanas.
Ou seja, era pra ter aparecido alguma coisa na ultra!
Exatamente uma semana depois, de uma sexta pro sábado e de forma repentina, senti uma cólica terrível, como nunca tinha sentido antes. Passei mal, tive queda de pressão, fiquei muito pálida, vomitei. Meu marido me levou pro hospital às pressas enquanto meu irmão ficou em casa com meu filho.
Eu não conseguia nem andar, de tanta dor que eu sentia; até dentro do elevador, fiquei nos braços do meu esposo, coitado, rs!
Quando cheguei na emergência, a ginecologista de plantão foi um anjo enviado por Deus; super diligente, pediu logo um hemograma, comparou com os meus exames do início da gravidez e deu quase 100% de certeza de que era uma hemorragia interna, decorrente de uma gravidez tubária que havia se rompido. E foi exatamente o que aconteceu.
Só que, de madrugada, sem aparelho de ultrassom para saber qual trompa era, ou se era isso mesmo, tive que me submeter a uma laparotomia exploratória para descobrir o problema e deter a hemorragia, ou seja: tiveram que cortar minha barriga, desde o umbigo até a cicatriz da primeira cesária. Mas, graças a Deus, estou viva!

A falta de diagnóstico precoce, que me pouparia o risco de vida sofrido, a cicatriz e as dores, foi compensada pelo atendimento maravilhoso que recebi na urgência do hospital. A vida seguiu em frente e eu, sinceramente, não estava com a mínima expectativa de engravidar tão cedo… Demorei uns meses a mais do que planejado para engravidar do meu primeiro filho e, com uma trompa a menos, parei de pensar em segundo filho a curto prazo. Em agosto de 2012 voltei às minhas atividades normais. Final de dezembro pra início de janeiro a surpresa veio: ESTOU GRÁVIDAAAA!!!!
Fiquei extasiada, tão agradecida a Deus… não conseguia acreditar! Três meses apenas?! Obrigada Senhor!! Deus fez nascer um arco-íris onde antes eu só via as nuvens cinzas.
Confesso que jamais havia ouvido a expressão “bebê arco-íris”, até Ana China me explicar o que seria o projeto. E adorei a expressão!
Acho importante falar sobre o tema, e por isso mesmo aceitei participar do projeto, porque eu mesma conheço muitas mães que, mesmo tendo recebido o seu arco-íris, não conseguiram desfazer as nuvens negras da tempestade… carregam um arco-íris no braço, mas a chuva continua no coração. Às vezes, é um assunto tabu; outras possuem sentimentos tão confusos! Não trabalharam as perdas ou não viveram o luto de forma plena e sincera.
Sei que perdi um bebezinho de oito semanas de gestação, enquanto outras mães perderam filhos já grandes. E sei quão diferente é o sentimento que nos separa. Mas temos um outro sentimento que nos une: o da renovação! Deus nos deu uma nova chance de recomeçar, de sonhar, de viver o sonho da maternidade que antes fora interrompido. Como somos agraciadas!
Se vocês soubessem como tenho orgulho dessa cicatriz que carrego no corpo… ela conta muito sobre a minha história e também me lembra que não haveria barriga chapada no mundo que me trouxesse minha Alice…

Meu Deus… o que dizer da minha filha? Ela é um arco-íris SIM na minha vida! Nem nos meus melhores sonhos imaginava que ter uma menina me faria tão feliz! Minha Alice lembra-me da promessa de Deus depois de uma tempestade. Mesmo quando as nuvens estão cinzentas, e a gente não consegue ver o sol… como é que Deus faz aparecer no céu aquele enorme arco tão lindo?! Aquele arco nos faz sorrir; nos faz esquecer da chuva; tem gente que tira foto de tão lindo que acha. Não vemos um arco-íris todo dia e nem após toda chuva: ele é especial sim!
Minha filha é uma companheirinha carinhosa, inteligente, alegre, sorridente. Tão engraçada e sensível! Tão amorosa! Meu Deus, como eu amo meu bebê arco-íris!!!
Não se puna, não puna a Deus ou a quem quer quer for; não guarde mágoas, porque lhe farão um mal que às vezes é irreversível e o tempo perdido não volta. Liberte-se da culpa! Não olhe tanto para o passado, porque o arco-iris está aí, à sua frente, lembrando-lhe que mesmo em meio ao céu escuro e sem graça, a vida ressurge sim, e cheia de cores.

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Vanessa Medeiros, esperando Julia chegar após dois abortos devido a desconhecer que era portadora de trombofilia:

Como é difícil falar sobre esses momentos… Uma mistura de felicidade e apreensão sempre me acompanhou, desde a descoberta da gravidez, e certamente será presença certa no meu coração até sua chegada minha filha. Sinto que devo falar sobre nossa experiência antes de seu tão aguardando nascimento.
A maioria das mulheres e casais tem a gravidez como um momento mágico, de pura felicidade e contentamento, mas não foi bem assim que aconteceu com a gente…
Quando decidimos ter um filho pensamos que seria algo razoavelmente simples de acontecer: planejar o momento da gravidez, avisar os familiares, preparar o quarto, enxoval, comemorar com familiares e amigos, planejar a nova rotina com o bebê, muita festa, sorrisos, abraços, enfim, não sabíamos tão longo e árduo seria o caminho que percorríamos até aqui.

No dia 04/01/2015 recebemos o resultado do exame Beta com o nosso primeiro positivo, estava grávida e extremamente feliz; sentimento esse que logo fora compartilhado com todos da família, que neste dia estavam todos reunidos em nossa casa.
Descobrir uma gravidez é uma mistura intensa de sentimentos: alegria, medo, insegurança, e amor, muito amor. Saber que a partir daquele momento você não estará mais sozinha e será responsável por um novo ser, dá uma sensação de empoderamento imenso.
Infelizmente, a alegria deu lugar a tristeza, quando em fevereiro de 2015 descobrimos que o bebê não tinha mais batimentos cardíacos. Ele nos deixou, e levou um pedaço do nosso coração junto. E justamente no dia do meu aniversario precisei me submeter ao procedimento de curetagem no hospital.

Nessa hora de perda, os médicos sempre explicam que abortos, principalmente no início da gestação como foi meu caso, acontecem, que é normal, o que não torna de jeito nenhum a dor menor. Precisamos de tempo e auxílio nesse processo de recuperação pós-aborto, que deixa cicatrizes na alma. Nesse momento o carinho dos familiares e a força na fé foram fundamentais para que não nos deixássemos abater e continuássemos a sonhar com nosso filho.

Eis que em julho novo milagre a caminho, nova vida, estava grávida novamente! Nossa esperança se renovou, contudo, calejados com o aborto, decidimos não compartilhar a novidade com os familiares e amigos, apenas eu e meu esposo sabíamos da gravidez. Toda aquela sensação da descoberta da primeira gravidez que se resumia a alegria e felicidade, agora abria espaço para preocupação e ansiedade.
E assim, com essa mistura de alegria e medo, que no mês seguinte, ao realizar um ultrassom, descobrimos que o feto não havia se desenvolvido.
Novo choque, novo luto, muito choro, muitas dúvidas, e a certeza que havia algo errado.

A todo o momento me perguntava se tinha feito algo errado; será que tinha comido alguma coisa que fez mal; questionei Deus diversas vezes pra saber por que isso estava acontecendo comigo. Chorei muito. Tive muito medo de não poder ter filhos, do casamento acabar em virtude da infertilidade. A cabeça não parava de pensar e o coração de sangrar. Dois filhos se foram.

Em todo esse processo de luto pela perda dos nossos dois filhos, posso afirmar o quanto é dolorosa a luta para quem é portadora de Trombofilia, pois na maioria das vezes, até o diagnóstico ser confirmado, o que demanda uma complexa investigação laboratorial, os pais já passaram por uma ou mais perdas. E encarar a perda de um filho não é nada fácil, precisamos de muita fé em Deus para nos manter firmes e unidos na busca do nosso sonho.

Nós não desistimos desse sonho, lutamos pelo tratamento adequado, passamos por diversos obstáculos, e hoje, completando 35 semanas de gestação da nossa princesa Júlia, nossos dias estão mais coloridos, feito um arco-íris, cheio de cor, vida e ansiedade para conhecer e encher de amor nosso milagrinho, que em breve estará em nossos braços com a benção de Deus! Vem minha princesa, mamãe e papai te amam demais e não vêm a hora de conhecê-la. Com amor, Mamãe Vanessa.

A culpa é de quem

Da mãe, ora… (leia bolinhas, por favor).

Vai me dizer que nunca ouviu a frase quando nasce um filho a culpa vem junto.

Ou então: quem pariu Mateus que o embale.

Pois é, minha gente. Fazer o quê? Libertar as mães!

A culpa existe? Sim, faz parte. Se você é mãe e nunca sentiu uma pontinha de culpa, Ok!

Mas 100% das que conheço assumem ou demonstram.

Agora, precisa carregar o peso da culpa? Nããão!

Já sofri bastante mas com o tempo fui curando algumas feridas e ressignificando o sentimento de culpa.

Somos julgadas e também nos julgamos.

Com o tempo, entendi que sou a melhor mãe que posso ser para o meu filho.

São tantas cobranças… Não vou nem contar aqui para não assustar. Mas quem é mãe sabe como é.

Péra. Só um pouquinho. Amamentar e sentir vontade de namorar (leia-se séquissu). Quem tem? Libido, milha filha, cadê você (eu perguntava). Por aí vai.

Nos últimos dois anos a pressão aumentou. Particularmente, vejo dessa forma.
Em contrapartida, também reconheço que nós mulheres estamos mais unidas.
Inclusive, quando compartilhamos nossas histórias é o mesmo que dar as mãos ou um abraço.
Vamos tornar a culpa leve. Faça dela um instrumento de reflexão.

Se a culpa bater a sua porta abra e puxe a cadeira para uma conversa.

Papo reto. Sem firulas. Todo mundo já é adulto. Resolvido? Pronto. É beijo e tchau!