Mãe guarda as seringas usadas durante a gestação e o resultado é um ensaio newborn cheio de amor

Foram mais de 300 injeções de anticoagulante também conhecidas como #picadinhasdeamor. Um relato emocionante de uma mãe que enfrentou a trombofilia para realizar o sonho de ter o segundo filho.

Meu nome é Isabel, tenho um filho de 15 anos de uma gestação normal sem nenhuma intercorrência de parto cesariana em 2002. Até os nove anos dele eu não queria ter mais filhos.
Descobri meu segundo positivo em 2011 e me apaixonei de primeira pela ideia da maternidade pela segunda vez. Perdi com seis semanas. Um aborto retido,  doloroso, alma ferida… Já amava muito meu filho.
Em 2013, engravidei novamente depois de tanto tentar e esperar. Perdi também nas mesmas circunstancias do primeiro aborto. Seis semanas, retido, outra curetagem depois de dez dias que soube que ele não tinha mais vida. Sofri tudo!
Não desisti do sonho plantado no meu coração e fui em busca de respostas para as minhas perdas em 2014. Ginecologista,  obstetra, geneticista, hematologista, endócrino  (tive um tumor hipofisário que dificultava engravidar)… Enfim, descubro-me trombofílica. Uma pancada em mim. Não sabia de nada sobre essa condição. Desesperei-me,  achei, por um instante, que talvez não conseguisse mais ser mãe novamente.
Em 2015 o mais esperado positivo… Desespero, alegria, medo, amor tudo junto. Já com o diagnóstico em mãos, sabia que teria que tomar todos os dias uma injeção anticoagulante. Isso seria doloroso mas a alegria de uma nova chance com tratamento me deixava um pouco tranquila.
Na primeira ultrassom, uma grande surpresa… Eram dois, gêmeos.  Eu não cabia em mim, a felicidade era astronômica. Meu Deus… Gêmeos! Família enlouquecida… O medo do tratamento não dar certo e a alegria de ser gêmeos.
Fui na fé…
Sofri dobrado.
Síndrome do transfusor transfundido – STT, trombofilia e cirurgia intrauterina. Primeira internação na MEJC – Maternidade Escola Januário Cicco por uma semana depois de duas tentativas de realizar uma amniocentese sem sucesso. Segunda internação em Recife no IMIP – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira para realizar a cirurgia intrauterina na tentativa de viabilizar o fluxo sanguíneo para os dois bebês já que só um estava recebendo normalmente e o outro não e também para retirada de 3,5 l de líquido amniótico em excesso. 13 dias de internação, deu tudo certo. Voltei pra casa com meus filhos quase no mesmo peso… Uma semana depois tive uma paralisia facial, quatro dias depois meus bebês não mexeram mais. Perdi-os para a trombofilia.
Pior dia da minha vida… Desejei a morte também. Eles já estavam com 27 semanas, tínhamos todo o enxoval, a família toda envolvida, meu filho ia realiza o desejo de ter um irmão.
O obstetra que me acompanhava disse que eu não tentasse mais. Depressão, choro, desespero, surto, perda de peso, insônia… Muita medicação pra tentar manter o equilíbrio perdido. Eu não tinha mais vida.
Quatro meses depois, já em 2016, pra minha grande surpresa eu estava grávida novamente. Mais uma vez um misto de sentimentos, aflição em pensar que eu poderia viver tudo novamente me destruía. A alegria que senti em saber que mesmo em meio a uma tristeza profunda Deus não tinha esquecido de mim e me dava mais uma oportunidade e eu não podia deixar escapar. Coloquei minha dor de lado e fui cuidar do meu filho que já crescia dentro de mim.
Mais de 300 injeções, AAS*, todas as vitaminas que se pode imaginar. Pré-natal a cada 15 dias, repelente em todo corpo toda hora. E na minha cabeça e coração só se passava: eu vou vencer a trombofilia!
Meu Benício nasceu com 36 semanas tão bem que ficou comigo até o último ponto ser fechado pelo obstetra. Minha família toda na maternidade… Eu tinha sonhado com aquele dia muitas vezes… Hoje ele é minha vida, minha maior alegria junto com o irmão.
Quando descobri a trombofilia, em 2014, entrei em um grupo no Facebook chamado Trombofilia e Gestação. Cada mãe faz uma foto do seu tão sonhado filho com as seringas. Eu eu a fotógrafa optamos pelo coração com ele dentro e tive a ideia de colocar uma na mão dele para passar a mensagem que com o tratamento é possível realizar o sonho de se ter um pequeno mesmo com trombofilia.
Ainda que muito triste com todas as minhas perdas,  no mais profundo do meu íntimo eu sentia que minha história como mãe não tinha acabado ali diante daquela dor insuportável que foi ver meus dois filhos sem vida. Eu ainda teria o colo cheio novamente… Sempre acreditei nisso. Não desistam de um sonho plantado no coração… Deus realiza milagres.
*A aspirina tem efeito anticoagulante.
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