Conheça o projeto fotográfico “Meu arco-íris”

O Projeto Meu Arco-Íris traz fotos de famílias com relatos dos seus bebês arco-íris.
Mas o que são essas crianças? São filhos que chegam após um luto.

O arco-íris não é capaz de anular os danos causados por um temporal e nem diminui os transtornos vividos em uma tempestade… Mas traz de volta a cor, a alegria e a esperança!!!

Casos de perdas gestacionais são mais comuns do que imaginamos e acabam por resultar em um ou mais abortos. Episódios traumáticos na vida de qualquer mãe e por muitas vezes chegam a tirar o sonho de gerar um filho.

Além de simbolizar a renovação e a esperança da chegada do “sol após uma tempestade”, o arco íris carrega outro lindo significado que jamais pode ser ignorado quando falamos de fé, amor e esperança. Também representa a aliança de Deus com o mundo e a promessa de que Ele sempre está conosco.

“Eis o sinal da a aliança que faço entre mim e vocês e toda a criatura viva, por todas as gerações vindouras: Ponho meu arco na nuvem – ele permanecerá ali como sinal da aliança entre mim e a terra.” (Gênesis 9:12-17)

Eu não poderia deixar de demonstrar o tamanho do meu RESPEITO e CARINHO por essas famílias guerreiras e por seus “pequenos-grandes” milagres. Então, resolvi criar esse projeto.

As fotos antes de tudo são uma homenagem a todas as “famílias arco-íris” e uma forma de mostrar às outras mães que elas não estão sozinhas, uma vez que o assunto ainda é evitado e elas muitas vezes não conseguem dividir a sua experiência.

Algumas mães evitam falar com as pessoas sobre o assunto, mesmo querendo gritar pro mundo sua dor sentem vergonha de se expor, porque não há espaço pra esse tema ser debatido. Há ainda o julgamento: pessoas acham que as famílias devem superar rápido, menosprezando a dor alheia… Assim como a cobrança: “superaram mais rápido do que deviam” culpando esses pais por estarem felizes de novo.

Sabemos um filho não anula outro, ou apaga uma dor vivida… Mas traz a alegria de volta e que as famílias podem sim se permitirem serem felizes de novo, com todo respeito e carinho pelo que aconteceu, mas sem se sentirem culpadas por voltarem a sorrir após uma dor.

Com o projeto, esperamos espalhar a ESPERANÇA, a ALEGRIA e o AMOR. Também trazer à tona assuntos importantes que devem ser debatidos e conhecidos. E claro: deixar registrado que milagres acontecem todo dia ao nosso redor!!!

Ana China, fotógrafa de famílias.


projeto-fotografico_blogpalavrademae

Camila Costa, mãe de Alice (3 anos). Perdeu um filho na gestação devido a uma gravidez tubária:

Vou tentar falar de forma sucinta sobre a experiência que tive. Vamos dizer que foi a minha chuva com cinzentas nuvens. Engravidei pela segunda vez, em meados de 2012. Tudo normal, até eu fazer a primeira ultra e a médica não visualizar nada no ultrassom; “deve ter sido uma ovulação tardia”, disse ela. A GO que me assistia na época, apenas disse que eu era a paciente mais ansiosa que ela tinha. Simples assim. Mandou eu fazer um beta quantitativo, que bateu com o número de semanas que eu estava: oito semanas.
Ou seja, era pra ter aparecido alguma coisa na ultra!
Exatamente uma semana depois, de uma sexta pro sábado e de forma repentina, senti uma cólica terrível, como nunca tinha sentido antes. Passei mal, tive queda de pressão, fiquei muito pálida, vomitei. Meu marido me levou pro hospital às pressas enquanto meu irmão ficou em casa com meu filho.
Eu não conseguia nem andar, de tanta dor que eu sentia; até dentro do elevador, fiquei nos braços do meu esposo, coitado, rs!
Quando cheguei na emergência, a ginecologista de plantão foi um anjo enviado por Deus; super diligente, pediu logo um hemograma, comparou com os meus exames do início da gravidez e deu quase 100% de certeza de que era uma hemorragia interna, decorrente de uma gravidez tubária que havia se rompido. E foi exatamente o que aconteceu.
Só que, de madrugada, sem aparelho de ultrassom para saber qual trompa era, ou se era isso mesmo, tive que me submeter a uma laparotomia exploratória para descobrir o problema e deter a hemorragia, ou seja: tiveram que cortar minha barriga, desde o umbigo até a cicatriz da primeira cesária. Mas, graças a Deus, estou viva!

A falta de diagnóstico precoce, que me pouparia o risco de vida sofrido, a cicatriz e as dores, foi compensada pelo atendimento maravilhoso que recebi na urgência do hospital. A vida seguiu em frente e eu, sinceramente, não estava com a mínima expectativa de engravidar tão cedo… Demorei uns meses a mais do que planejado para engravidar do meu primeiro filho e, com uma trompa a menos, parei de pensar em segundo filho a curto prazo. Em agosto de 2012 voltei às minhas atividades normais. Final de dezembro pra início de janeiro a surpresa veio: ESTOU GRÁVIDAAAA!!!!
Fiquei extasiada, tão agradecida a Deus… não conseguia acreditar! Três meses apenas?! Obrigada Senhor!! Deus fez nascer um arco-íris onde antes eu só via as nuvens cinzas.
Confesso que jamais havia ouvido a expressão “bebê arco-íris”, até Ana China me explicar o que seria o projeto. E adorei a expressão!
Acho importante falar sobre o tema, e por isso mesmo aceitei participar do projeto, porque eu mesma conheço muitas mães que, mesmo tendo recebido o seu arco-íris, não conseguiram desfazer as nuvens negras da tempestade… carregam um arco-íris no braço, mas a chuva continua no coração. Às vezes, é um assunto tabu; outras possuem sentimentos tão confusos! Não trabalharam as perdas ou não viveram o luto de forma plena e sincera.
Sei que perdi um bebezinho de oito semanas de gestação, enquanto outras mães perderam filhos já grandes. E sei quão diferente é o sentimento que nos separa. Mas temos um outro sentimento que nos une: o da renovação! Deus nos deu uma nova chance de recomeçar, de sonhar, de viver o sonho da maternidade que antes fora interrompido. Como somos agraciadas!
Se vocês soubessem como tenho orgulho dessa cicatriz que carrego no corpo… ela conta muito sobre a minha história e também me lembra que não haveria barriga chapada no mundo que me trouxesse minha Alice…

Meu Deus… o que dizer da minha filha? Ela é um arco-íris SIM na minha vida! Nem nos meus melhores sonhos imaginava que ter uma menina me faria tão feliz! Minha Alice lembra-me da promessa de Deus depois de uma tempestade. Mesmo quando as nuvens estão cinzentas, e a gente não consegue ver o sol… como é que Deus faz aparecer no céu aquele enorme arco tão lindo?! Aquele arco nos faz sorrir; nos faz esquecer da chuva; tem gente que tira foto de tão lindo que acha. Não vemos um arco-íris todo dia e nem após toda chuva: ele é especial sim!
Minha filha é uma companheirinha carinhosa, inteligente, alegre, sorridente. Tão engraçada e sensível! Tão amorosa! Meu Deus, como eu amo meu bebê arco-íris!!!
Não se puna, não puna a Deus ou a quem quer quer for; não guarde mágoas, porque lhe farão um mal que às vezes é irreversível e o tempo perdido não volta. Liberte-se da culpa! Não olhe tanto para o passado, porque o arco-iris está aí, à sua frente, lembrando-lhe que mesmo em meio ao céu escuro e sem graça, a vida ressurge sim, e cheia de cores.

rainbow-babies_blogpalavrademae

Vanessa Medeiros, esperando Julia chegar após dois abortos devido a desconhecer que era portadora de trombofilia:

Como é difícil falar sobre esses momentos… Uma mistura de felicidade e apreensão sempre me acompanhou, desde a descoberta da gravidez, e certamente será presença certa no meu coração até sua chegada minha filha. Sinto que devo falar sobre nossa experiência antes de seu tão aguardando nascimento.
A maioria das mulheres e casais tem a gravidez como um momento mágico, de pura felicidade e contentamento, mas não foi bem assim que aconteceu com a gente…
Quando decidimos ter um filho pensamos que seria algo razoavelmente simples de acontecer: planejar o momento da gravidez, avisar os familiares, preparar o quarto, enxoval, comemorar com familiares e amigos, planejar a nova rotina com o bebê, muita festa, sorrisos, abraços, enfim, não sabíamos tão longo e árduo seria o caminho que percorríamos até aqui.

No dia 04/01/2015 recebemos o resultado do exame Beta com o nosso primeiro positivo, estava grávida e extremamente feliz; sentimento esse que logo fora compartilhado com todos da família, que neste dia estavam todos reunidos em nossa casa.
Descobrir uma gravidez é uma mistura intensa de sentimentos: alegria, medo, insegurança, e amor, muito amor. Saber que a partir daquele momento você não estará mais sozinha e será responsável por um novo ser, dá uma sensação de empoderamento imenso.
Infelizmente, a alegria deu lugar a tristeza, quando em fevereiro de 2015 descobrimos que o bebê não tinha mais batimentos cardíacos. Ele nos deixou, e levou um pedaço do nosso coração junto. E justamente no dia do meu aniversario precisei me submeter ao procedimento de curetagem no hospital.

Nessa hora de perda, os médicos sempre explicam que abortos, principalmente no início da gestação como foi meu caso, acontecem, que é normal, o que não torna de jeito nenhum a dor menor. Precisamos de tempo e auxílio nesse processo de recuperação pós-aborto, que deixa cicatrizes na alma. Nesse momento o carinho dos familiares e a força na fé foram fundamentais para que não nos deixássemos abater e continuássemos a sonhar com nosso filho.

Eis que em julho novo milagre a caminho, nova vida, estava grávida novamente! Nossa esperança se renovou, contudo, calejados com o aborto, decidimos não compartilhar a novidade com os familiares e amigos, apenas eu e meu esposo sabíamos da gravidez. Toda aquela sensação da descoberta da primeira gravidez que se resumia a alegria e felicidade, agora abria espaço para preocupação e ansiedade.
E assim, com essa mistura de alegria e medo, que no mês seguinte, ao realizar um ultrassom, descobrimos que o feto não havia se desenvolvido.
Novo choque, novo luto, muito choro, muitas dúvidas, e a certeza que havia algo errado.

A todo o momento me perguntava se tinha feito algo errado; será que tinha comido alguma coisa que fez mal; questionei Deus diversas vezes pra saber por que isso estava acontecendo comigo. Chorei muito. Tive muito medo de não poder ter filhos, do casamento acabar em virtude da infertilidade. A cabeça não parava de pensar e o coração de sangrar. Dois filhos se foram.

Em todo esse processo de luto pela perda dos nossos dois filhos, posso afirmar o quanto é dolorosa a luta para quem é portadora de Trombofilia, pois na maioria das vezes, até o diagnóstico ser confirmado, o que demanda uma complexa investigação laboratorial, os pais já passaram por uma ou mais perdas. E encarar a perda de um filho não é nada fácil, precisamos de muita fé em Deus para nos manter firmes e unidos na busca do nosso sonho.

Nós não desistimos desse sonho, lutamos pelo tratamento adequado, passamos por diversos obstáculos, e hoje, completando 35 semanas de gestação da nossa princesa Júlia, nossos dias estão mais coloridos, feito um arco-íris, cheio de cor, vida e ansiedade para conhecer e encher de amor nosso milagrinho, que em breve estará em nossos braços com a benção de Deus! Vem minha princesa, mamãe e papai te amam demais e não vêm a hora de conhecê-la. Com amor, Mamãe Vanessa.

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Um comentário em “Conheça o projeto fotográfico “Meu arco-íris”

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