A mãe feminista que eu sou

Quando comecei a sonhar com a maternidade, imaginava ser mãe de menina! Anos brincando de boneca e vivendo em um mundo encantado… Fui uma criança super mimada! Cresci e depois de alguns relacionamentos, mudei de ideia. Tive um namorado ciumento e não identificava aquilo como abusivo. Apesar de achar doentio! Por essa e várias outras razões eu passei a desejar ter um filho!

E foi assim (ou, por isso) que Théo me escolheu para ser sua mãe. Até então, eu sabia muito pouco sobre feminismo. Era algo distante, ou melhor, completamente fora da minha realidade. Mesmo já conhecendo Simone de Beauvoir.

Um dia, alguém bem próximo me disse que eu estava criando meu filho como uma menininha. Aquilo doeu, machucou e ao mesmo tempo me libertou. Respondi o seguinte: estou criando um bebê!

Nunca me preocupei se Théo assistia Princesinha Sofia ou o Jardim da Clarilu. Hoje, aos sete, ele adora Marsha e o Urso. Inclusive, assistimos juntos! Sim, ele também gosta de andar de bicicleta, jogar vídeo game e colecionar Imaginext.

Meu filho brinca com meninas de uma forma tão natural. Não teve a fase de achar menina chata ou ainda, de dizer que é namoradinho. Uma vez, Théo queria brincar comigo. Eu estava tirando o esmalte e tive a ideia de perguntar se ele queria pintar minhas unhas. Claro que ele quis e fez uma obra de arte. Para ele foi uma brincadeira, esmalte = tinta e unha = papel.

Ano passado, ele trouxe uma atividade da escola que pedia para analisar uma foto e responder por que o menino não estava brincando com as meninas. Théo respondeu: porque ele quis brincar de outra brincadeira.

Questões de gênero merecem atenção de nós educadores. Acredito que podemos e devemos nos despir de determinados preconceitos ou julgamentos.

Hoje posso dizer sim que eu sou feminista! E a maternidade foi o caminho que me levou a esse encontro. O feminismo para mim é um sentimento de busca pela igualdade. Uma descoberta que despertou aquele sonho primeiro. Uma menina para eu ensinar que ela também pode… Brincar de carrinho, se quiser. Porque nem toda menina, quer ser bailarina! Ao escrever isso (agora), acabo de me lembrar da Raquel da Bolsa Amarela.

Se um dia eu tiver uma filha, espero que quando ela estiver passando por um beco e ouvir passadas não se sinta aliviada só porque olhou para trás e viu que era outra mulher.

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