O rastro digital dos nossos filhos

Quando engravidei, criei um blog com o propósito de ser um diário da minha gravidez.

Na época, meu irmão morava em Brasília e era uma forma também dele acompanhar.

Depois que Théo nasceu foi que eu me dei conta realmente da minha responsabilidade como mãe.

E dentre tantas escolhas maternas, surgiu a vontade de preservar o meu filho.

Coloquei o tal cadeado nas minhas fotos no Orkut e passei a atualizar meus álbuns selecionando um a um que poderia visualizá-los. Mas hoje eu consigo olhar para trás e ver que aquele era um medo de mãe (já superado).

Dei sequência no blog, que era mais texto do que imagens. Inclusive, os meus blogs sempre foram mais de palavras mesmo (comecei com 19 anos).

Todos os registros que fiz lá ficaram de acervo pessoal para futuras lembranças da primeira infância de Théo. Inclusive, eu até comentava que fazia porque SE eu morresse ele teria como saber da própria inafância.

O Blog Palavra de Mãe nasceu do meu sonho de poder escrever e compartilhar sobre minhas experiências maternas com menos culpa ou preocupação. Continuo com  cautela sobre o que estou tornando público nas redes sociais apesar de ter consciência de que não há controle algum em terras virtuais.

E você, já parou para pensar nisso? Antes mesmo do bebê nascer ele ganha uma vida virtual quando a imagem da ultra é compartilhada nos perfis ou grupos. Mas quando eles crescerem, o que vão achar do rastro digital de suas infâncias? Agora é fofinho, lindinho. E depois? Será que aquele meme não vai virar um constrangimento.

Já vi foto de bebês/crianças em cada situação que antigamente, talvez, ficaria guardada só no álum de família. E vídeos? Filho levando bronca, reclamando de dor, chorando e vários outros momentos que, sinceramente, precisar mesmo filmar e ainda postar? Quantos vídeos ou fotos de crianças viralizaram? Isso é irrecuperável, pois depois que se publica um conteúdo ele é replicado em zilhões de servidores pelo mundo.

Agora imagine um adolescente se deparando com uma imagem sem o seu consentimento. Por isso, e para todas as coisas, o importante é a empatia. Todos nós sabemos que devemos ter o cuidado com a internet por segurança, mas não é só uma questão de privacidade. Precisamos, principalmente, resguardar a própria identidade dos nossos filhos. Afinal, não são bonecos e nós somos os guardiões deles.

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