Um vídeo singelo sobre o cotidiano de uma criança

Das coisas boas que este blog me traz são as histórias, os encontros e as pessoas…

Há uns dias, uma amiga me mandou um vídeo com o seguinte pedido: entreviste a mãe do Timtim.

Imediatamente, após me emocionar com o que assisti, entrei em contato com a Genifer Gerhardt.

Mas antes de continuar este post, vou dar uma pausa para que você possa apertar o play!

Em conversa com o Blog Palavra de Mãe, a mãe do Valentim (1a9m) me mostrou (ou melhor, apresentou-me) que é possível deixar uma criança ser criança. Confesso que sempre fui neurótica com essa equação (mão suja + boca = doença). E o mais interessante do vídeo é que ele nos leva a ver o trajeto inteiro pelo ângulo de enquadramento na altura do Timtim.

Blog Palavra de Mãe – Quem é a mãe do Valentim, por favor, apresente-se!

Sou Genifer, mãe do Valentim, meu primeiro filho gente. É que sou bonequeira, e aí a gente começa a criar e espalhar filhos-bonecos por aí, jogá-los ao vento e ao mundo. É coisa difícil o jogar. O Valentim ainda é o mais pertinho, a mais perfeita miniatura que veio de mim e que tenho bem próximo pra deixar ir quando quiser ir. Digo veio de mim porque não há domínio, percebe? Simplesmente veio do jeitinho dele, feito boneco que a gente quer que saia de um jeito e sai de outro, e acaba sendo muito mais bonito do que o que a gente sonhou. Ele nasceu em 24 de julho de 2013, um dia frio, frio, friiiioo, logo depois de um belo nascer de sol alaranjado.

BPdM – Que lugar frio é esse que vocês moram (rsrs)?

Atualmente, moramos em Porto Alegre: Timtim, pai baiano, vó gaúcha (minha mãe), tios gaúchos. Atualmente porque estamos em processo de saída, vésperas de andar. Ainda não posso falar mais sobre isso, mas sou feita de pó de estrada, então não poderia ser diferente… Tenho gana de mostrar ao Valentim (melhor dizendo, de apresentar à ele) realidades interioranas, cultura popular, delicadezas de lugares pequenos. Estamos a caminho. Caminhando. Que é coisa que gostamos, dá pra ver no vídeo, né?! rsrs

BPdM – E como é a rotina do Timtim? Ele fica na casa da vovó para você trabalhar?

Atualmente revesamos os cuidados entre pai, mãe e vó. Não é uma rotina fechada, nossos dias são como danças para lá e para cá que permitem que Timtim passeie entre nós três – nossos cuidados, crenças e atividades diversas. A maior parte do tempo fica comigo, mas a proximidade de pai e avó permitem que eu não enlouqueça nem pese para um lado só. Com isso, consigo seguir no meu ofício com confecção de bonecos e apresentações teatrais e circenses, que é como me sustento e o que me dá respiro, que me faz bem além da família.

BPdM – Fale um pouco sobre suas escolhas maternas. A primeira coisa que me veio à mente assistindo ao vídeo foi: como essa criança é livre (que maravilha). Para você, mãe, como é ver o seu filho fazer esse trajeto cheio de descobertas. É libertador também?

Procuro sim criá-lo em liberdade para que descubra ao máximo sozinho aquilo que lhe cativa, as pessoas que ele se reconhece, que gosta, que admira. Acho que a gente é atolado demais de certezas e de pressa, e ele me faz questionar, abre portas para outras concepções de tempo e espaço. Acho bonito! Isso não quer dizer que não há “nãos”, que não há limites, mas acho preferível o limite ser exceção do que a permissividade. Muitas vezes não é, né?! A gente mergulha a criança num mundo de nãos e depois quer que ela vá ao mundo sem medos ou nóias… Ah, eu prefiro que ele vá ao mundo com coragem. Caiu levantou, que a gente está aí pra cair mesmo. Mas ficar nessa de dizer que “não faça isso senão cai”… Deixa cair! É difícil. É um aprendizado e exercício diário. Mas acho que é um investimento futuro, para o futuro, deles e de uma humanidade inteira.

BPdM – O que nasceu primeiro, o vídeo ou o texto?

O que nasceu primeiro foi o caminhar, rsrs. Timtim caminhava e começou, sozinho, a estabelecer aquelas relações. Os encontros. Eu já escrevia sobre o maternar, sobre ele, registros postados em rede social e que começavam a ser mais vistos (para minha surpresa). Mas ok. Aí escrevi o texto. Dias depois um amigão (o Diego Esteves) me chamou para participar de uma apresentação importante que comemorava o aniversário de um grupo/núcleo de artistas/coletivo que eu fazia parte até então: o Necitra. Achei que seria legal o estar. Mas a apresentação seria de noite – e Timtim só dormia (e dorme) comigo, então eu disse: eu só vou se for com ele.
Bem, não queria colocá-lo em cena, determinar uma cena, impor para ele fazer isso ou aquilo. Mas havia firmado um compromisso de apresentar algo, e aí, o que fazer? Então, veio a ideia de um vídeo, porque poderia exibir com o Timtim no colo, fazendo o que quisesse fazer. Aí entra o pai, que disse: vamos filmar aquele texto. O pai é cineasta, facilita, né?! Eu relutei um pouco sobre o texto, achei que podia escrever coisa melhor (rsrs)… Mas o pai ali disponível, comecei a achar a ideia legal, e ok! O pai nos acompanhou no dia na ida até a casa da avó. Filmou direto, sem nada definido, só foi acompanhando. Li o texto para o áudio. Editou na mesma tarde. Apresentamos enquanto o Timtim mamava, e pronto. Foi isso.

BPdM – Caminhando com Tinmtim já ultrapassou mais de 30 mil compartilhamentos…Você esperava isso tudo?

A repercussão foi um susto, porque realmente foi muito despretensioso. E aí um monte de gente começou a entrar pelo vídeo no meu perfil de rede social e a ler os textos, os outros que eu tinha escrito sobre o Timtim desde a gravidez. E aconteceu algo bonito, um reconhecimento que eu não achava que poderia ocorrer, nem que poderia ser assim, tão forte. Tanta mensagem linda no reservado! Tanto encontro real em ambiente virtual, coisa difícil de se crer, mas vivendo passei a ver e a aceitar; ver e admirar. Só isso: ver-me como ponte.
Agora estou prestes a lançar um livro, o “TIM TIM: um filho, uma mãe, dois nascimentos”. Que loucura! Acho estranho, vibro e tenho calafrios ao mesmo tempo. Mas pronto, vou jogar ao mundo como os bonecos. Os textos parece que já não me pertencem mais – são dessas mães que se agruparam em torno de mim. Como em uma fogueira, o feminino ali todo exposto, a gente conversando sobre os filhos, os medos, as vibrações pequeninas. Sopraram, e eu sigo ponte. Deixo que vibre, agradeço e sigo meu caminho e caminhar. A gente acha que tem o futuro na mão, resta-nos só o agora. E meu agora é repleto de Timtim!

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5 comentários em “Um vídeo singelo sobre o cotidiano de uma criança

  1. Conheci essa alma boa num espetáculo de rua aqui em minha cidade, interior de Minas . Apaixonada. Virei amiga virtual depois. Não paro mais de segui la onde vá, agora com seu Timtim. Amo vc ,Genifer.

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  2. Genifer, tudo aconteceu sem vc esperar mas em algum momento, de qualquer forma, aconteceria. O video e o texto do video são de uma delicadeza, uma poesia, um amor, alma e uma espontaneidade tão imensos que pega no fundo da alma, principalmente nos corações de mamães recentes (como eu! Sou mãe da Rosa! Amanhã ela completa 5 meses!). É impressionante como suas palavras e seus pensamentos cativam e alegram o coração! Virei sua fã! Leio sua entrevista e me emociono com suas palavras, de verdade, eu choro. Estamos numa era escassa disso. Eu sou artista, sou musicista e mãe. Eu quero me emocionar!!!! E vc sem pretensão, o que é melhor ainda, joga as palavras e elas acertam com precisão no alvo de quem está aberto à poesia da vida, ao lado humano. O fato é que uma criança nos humaniza completamente e vc traduz isso em palavras. Obrigada!

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