Por que legalizar o aborto

Estudei a minha vida inteira em colégio de freiras. Sim, eu acredito de olhos bem fechados que Ele existe. Há dez dias, completei 31 anos. Passei a minha adolescência entre livros e diários no meu quarto. O meu primeiro beijo aconteceu quando eu já era universitária e a minha vida sexual começou com quase 20 anos. Tive poucos relacionamentos os quais vivi intensamente, porque sou essencialmente romântica. Sempre soube que um dia o meu homem estaria me esperando (sua mulher) no altar. E no meio de tanta gente, de possibilidades infinitas de tempo e espaço, fez-se o encontro e nos aceitamos. Reconhecemos os nossos desejos, as nossas vontades. Uma vida foi gerada em meu ventre consagrando todo o amor que transbordava.

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Sempre quis ser mãe. Eu, Carolina. Minha amiga Gabriela, também. Mas muitas mulheres não. É uma questão de escolha. É possível ser feliz sem filhos.

Engravidar não é tão fácil quanto pode parecer. Apesar de conhecer quem engravidou na primeira vez. Mas para que a fecundação ocorra é necessário o alinhamento de diversos fatores. Uma amiga com todos os exames normais passou três anos e três meses tentando. Outra (com dificuldade para engravidar) desistiu depois de dez anos de tentativas, inclusive com FIV.

E o aborto? SOU CONTRA.

Nunca precisei pensar no aborto como uma opção.

Mas muitas mulheres se deparam com esse fantasma.

Quantas? Não sei. O fato é que decidem interromper uma gestação.

E quer saber? Lamento profundamente saber que isso existe, apesar de ser uma realidade distante da minha.

Idealizo o momento da concepção como um sopro de vida e não somente um amontoado de células em desenvolvimento.

Como seria perfeito se cada ser concebido florescesse de uma história de amor e respeito.

Às vezes, um filho é fruto de uma relação e não de um relacionamento. E isso independe de classe social ou nível de (in)formação.

Ops, engravidei! E agora?

Não pode criar? Coloca para adoção.

Uma história assim saiu na revista Marie Claire naquela sessão Eu, leitora. A garota do interior foi para a capital, engravidou e levou a gestação até o fim. Quando o bebê nasceu, ela deu. Depois voltou para sua cidade e nunca ninguém ficou sabendo.

Ou então, …

Fictícia é agnóstica e não quer engravidar. Nunca na vida.

É queridinha, mas você nasceu com útero e é fértil.

Por isso mesmo, eu me cuido. Tomo remédio e uso preservativo.

Mas aconteceu, alguma coisa falhou e ela engravidou.

Pagou um aborto clandestino e morreu.

Aqui no Brasil, aborto é crime. Exceto, em casos de estupro, risco de morte para a mulher ou anencefalia.

Por que legalizar o aborto

Nosso país é um Estado laico, ou seja, as questões religiosas não podem determinar políticas públicas.

Legalizar o aborto não vai aumentar à estatística. Vai reduzir a mortalidade das mulheres. Uruguai e Cuba são exemplos disso.

Descriminalizar o aborto não vai mudar a minha opinião contrária ao ato. A lei não é para mim.

Independente da legislação, aborto existe. Infelizmente. O mundo não é perfeito.

Demorei para entender isso, mas agora consigo separar as histórias.

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2 comentários em “Por que legalizar o aborto

  1. Concordo Carol. Legalizar o aborto não vai aumentar as estatísticas. Vai apenas evitar que muitas mulheres morram em clínicas clandestinas. Afinal, quem não concorda com o aborto, não o fará. Pensar que uma lei iria levar as mulheres a cometerem aborto é, no mínimo, desonestidade intelectual. Grande abraço, querida!

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