Baby blues x Depressão pós-parto

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Vamos falar sobre algo que atinge mais da metade das mulheres que ganham bebê, que é a melancolia pós-parto, também chamada de “baby blues”. Muitas mudanças ocorrem quando nasce um bebê, mudanças hormonais, físicas, mudanças na rotina, no sono. Tudo é novo e exige, principalmente, da mãe uma enorme adaptação à nova vida. Sintomas como choro fácil, irritabilidade, dificuldade de concentração, diminuição do sono, mudanças no apetite e sensação de não dar conta são muito comuns. Começam cerca de 3 a 6 dias após o parto e duram apenas algumas semanas. Os sintomas são leves, passageiros, e não afetam os cuidados com o bebê. Não é necessário tratamento específico, apenas muito apoio e compreensão dos familiares e de quem está próximo. É importante diferenciar o baby blues da depressão pós-parto.

A depressão pós-parto atinge cerca de 10% das mulheres que ganham bebê, e os sintomas se iniciam dias após o parto. Diferente do “baby blues”, na depressão os sintomas são mais intensos e persistentes, prejudicando o dia-a-dia de forma significativa. Sintomas incluem:

  • diminuição do apetite
  • insônia
  • irritabilidade ou raiva intensas
  • cansaço excessivo
  • perda do prazer e do interesse nas coisas
  • sentimentos de culpa, de inadequação, de vergonha
  • dificuldade em criar vínculo com o bebê
  • isolamento
  • pensamentos em fazer algo contra sua vida ou contra a vida do bebê.

Como vocês podem imaginar, esses sintomas geram sofrimento intenso e podem afetar inclusive o desenvolvimento do bebê. Por isso, a importância do diagnóstico e tratamento precoces. É sempre importante ressaltar que a depressão (seja ela pós-parto ou não) é uma DOENÇA, como qualquer outra. Não é frescura nem fraqueza, e quem a sofre com certeza não gostaria de estar assim. Além disso, é grave, pode levar ao suicídio. No início pode ser difícil diferenciar a depressão do baby blues, mas aqui vão alguns sinais de alerta:

  • se não há melhora após 2 semanas
  • se ocorre piora progressiva dos sintomas
  • se está difícil cuidar do bebê
  • se há ideias de morte ou suicídio.

Não tenha receio em procurar um psiquiatra. É importante que seja feita uma boa avaliação desses casos, para o bem da mãe e do bebê. Há antidepressivos que podem ser usados durante a amamentação, portanto não há necessidade de interromper o aleitamento. A família também precisa dar suporte, isso é fundamental! Se você está passando por algumas dessas situações, converse com seu médico!

Por Isabella Gouveia
Médica psiquiatra, esposa e mãe de 3 filhos.
Autora do IG @dra.mame

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