Heloisa Prieto – “Para que alguém transmita o amor pelos livros é preciso amá-los em primeiro lugar.”

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Foto: Priscila Prieto Nemeth (a filha é fotógrafa)

Heloisa Prieto é um dos grandes nomes da  literatura infantojuvenil brasileira.

Com 60 livros publicados, vários prêmios importantes e textos para teatro, cinema e televisão (destaque para o Castelo Rá-Tim-Bum), ela é a entrevistada de hoje do Blog Palavra de Mãe.

Nascida em São Paulo, Heloisa escreve desde os sete anos e é dona de um vasto currículo.

Seu primeiro livro publicado, em 1992, foi Duendes e gnomos (Cia das Letrinhas).


 

Primeiramente, eu quero agradecer a sua participação. Então, vamos começar com a Heloisa que não está nas orelhas dos livros. Fale o que você gosta de fazer nas horinhas de descuido.

Pratico nataçao três vezes por semana, caminhadas duas vezes por semana, yoga. Leio o tempo todo livros, jornais, e assisto muitos filmes. O meu sonho é conhecer muitos países.

Você foi incentivada à leitura na infância? Seus pais de alguma forma contribuíram para essa grande escritora que você é hoje? 
Meu pai tinha uma biblioteca e eu gostava muito de ficar ali, lendo, mesmo que só conseguisse captar as narrativas do meu jeito de criança. Ele nunca tentou dirigir minha leitura, sempre tive liberdade de ler o que quisesse. Minha família lia muito e cada um tinha um gênero preferido. Isso me instigava, eu achava engraçado. Ganhei muitos livros de presente, ouvia os adultos contando de suas leituras no almoço do domingo. Livro era assunto o tempo todo.
Como nós, pais, podemos aguçar o gosto da leitura nos pequenos?
Meus filhos (Lucas e Priscila) sempre ouviram histórias, não só as minhas, como também de amigos escritores, como Daniel Munduruku, maravilhoso escritor indígena. Para que alguém transmita o amor pelos livros é preciso amá-los em primeiro lugar. Se os pais forem grandes leitores e não afastarem os filhos desse mundo, dizendo que isso pertence ao futuro, ao universo adulto, coisas assim, as crianças naturalmente sentem vontade de compartilhar desses universos ocultos nas palavras.
O Jogo da Parlenda (Cia das Letrinhas) é um dos meus livros favoritos. Então, gostaria que você falasse sobre ele. Como surgiu a ideia, o que te inspirou.
Morei numa fazenda quando menina e jogava parlendas todas as noites, com um grupo de crianças do campo. Brincávamos no terreirão de café, era maravilhoso. Tentei transmitir a ideia de jogo, de invenção quando escrevi meu livro, deslocando a parlenda daquele contexto sisudo no qual, muitas vezes, tenta-se aprisionar o folclore.
Você coleciona muitas obras, já escreveu baseada em histórias reais?!
Tenho agora 60 livros publicados, mas há títulos a caminho. Então, este ano, alcanço por volta de 63 livros. Sim, há sempre uma mistura de real e imaginário. Muitos livros se passam no mundo contemporâneo, como o Jogo dos tesouros, (editora Edelbra) que lancei ontem, ou o livro da sorte, (editora terceiro nome). Outros pertencem à dimensão do fantástico. Lenora (Rocco) um romance gótico, situa-se entre os dois universos, real e imaginário.
Como o ocorre o seu processo de escrita, onde estão suas raízes?
Nunca tive uma vida muito rotineira. Talvez por minha família gostar muito de viagens, esportes, incluir pessoas novas em casa, e também o fato de ser neta de imigrantes espanhóis, imprimiram um tom de movimento em minha percepção da vida. Minha bisavó Maria Santiago, sobreviveu à gripe espanhola, ela tinha muita consciência do acaso e do risco iminente à existência. Isso impregnou minha literatura. Ela era uma senhora impressionante.
Deixo o espaço aberto para você falar de novos projetos.
Este ano, tive a alegria de ver vários lançamentos saindo. Eles são:
  • Os sete arcos de íris (uma fábula sobre as cores dos sentimentos) – editora papirus
  • O livro da sorte – (uma celebração da amizade) – editora terceiro nome
  • As três faces da moeda (editora edelbra) – sobre a questão da ambição
  • O Jogo dos tesouros (editora edelbra) – sobre a possibilidade de ser original e diferente durante a adolescência.
Finalmente, está saindo uma tradução que pertence a uma coleção de clássicos que estou desenvolvendo para a Bamboo editorial:
A guerra do fogo – de J. H. Rosny – o livro vem com um aplicativo para que se possa ver imagens das cavernas rupestres e a edição está linda!
Meu próximo lançamento será Ian (editora Rocco), a sequência de Lenora.
Ser mãe me colocou mais próxima de ser humana.
Eu escrevo para as crianças que estão na cabeça dos adultos e para os adultos que moram nas crianças. Tenho leitores de todas as idades. É muito divertido!
***
Heloisa, tão gentil da sua parte responder as minhas perguntas (enviadas ontem e respondidas hoje)!
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