Nascimento de Flora

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Flora nasceu no dia 19 de junho, primeira filha da Luciana e do Cosme.

Eles são personagens de uma história de luta pelo respeito à vida.

Seria um lindo parto humanizado, mas virou um caso de violência obstétrica.

Flora nasceu saudável, na hora dela, depois de um trabalho de parto que faltou apenas o expulsivo.

O parto poderia ter sido domiciliar, mas a pressão da mãe se elevou.

Hora de ir para casa de parto (chuveiro, bola, banqueta, massagens e acupuntura).

Bolsa rota, 18 horas depois e: sete centímetros de dilatação sem evolução.

Transferência para um hospital público, onde foi recebida com descaso.

Não, ela não tinha passado nove meses planejando um parto perfeito para ser humilhada no ápice das suas contrações.

Juntou seus pertences e foi para sua última opção: hospital particular.

A conta do serviço prestado foi alta: R$ 14.200,00.

Mas nada supera a frustração que ela sofreu lá.

Eu assisti ao vídeo dessa experiência e procurei a Luciana, que me contou qual foi o caminho percorrido desde a descoberta da gravidez até o dia do nascimento de sua primogênita.

Quando engravidei, tinha em mente que queria parto normal. Não sabia de nada de parto humanizado. Só queria normal.

Por indicação de uma amiga, eu me consultei com um médico aqui da região (moro a uns 40km de Salvador, norte da Bahia).

A primeira pergunta que fiz foi se ele fazia parto normal, pois já sabia da dificuldade em achar algum médico disponível. Ele me respondeu com uma pergunta: você por acaso é índia?

Eu ri (indignada) e ele continuou. Disse que não tem tempo a perder e só trabalhava com cesáreas.

Eu claro fui embora e nunca mais voltei.

Comecei a procurar indicação de outro obstetra.

E uma colega de trabalho que tinha passado por um parto domiciliar me indicou uma médica de Salvador, referência em parto humanizado. Liguei prontamente e marquei uma consulta. Fiz meu pré-natal todo com ela.

Ela me mostrou este mundo me enviando matérias para ler e me explicando como tudo era simples assim.

Fiz meu plano de saúde uma semana antes de engravidar e estava com um problema. A médica só atendia particular (optei pagar tudo particular para garantir meu parto natural), mas não ia ter como pagar hospital para ter o bebê.

E domiciliar para mim era ainda uma realidade distante. Apesar de achar interessante, todo mundo falava que era perigoso e me sente desincentivada.

Minha médica me falou do Centro de Parto Normal, em Salvador.

Fui conhecer e amei! Pronto, estava escolhido o plano A.

Ela me explicou o que era doula e me convidou para uma roda de parto. Fui e conheci minha doula (contratada dias depois), ouvi muitas histórias interessantes e recebi muita informação.

Comecei a pensar, então, no domiciliar, mas minha médica já estava com a agenda cheia de partos na minha DPP e me indicou uma enfermeira obstétrica que trabalhava com ela e fazia partos domiciliares. Fui pesquisar a respeito e marquei um encontro. Achei demais!

Decidi contratar também, mas com a opção dela me acompanhar no trabalho de parto antes de ir para CPN. Assim me sentiria mais segura.

Li muito ao longo dos nove meses. As páginas do Face muito me ajudaram: renascimento do parto, humanize-se, parto humanizado, cesárea, não obrigada! e etc.

Comprei o DVD O Renascimento do Parto e fiz uma sessão de cinema em casa, chamei amigos e virei uma militante.

Parei de trabalhar com 38 semanas, minha mãe veio de São Paulo para ficar comigo e comecei a me preparar para que tudo desse certo. Frequentei roda de parto no CPN, encontro com doula e enfermeira, caminhadas diárias na praia, exercícios de agachamento. Vi (acho) todos os vídeos de parto natural da net, os de cesáreas e partos normais hospitalares também. O que me dava mais certeza do que eu queria.

Mas com 15 dias antes do parto minha pressão subiu. :/

Comecei dieta, suco de chuchu, nada de sal e sessão de acupuntura.

Melhorou.

Entrei em trabalho de parto com 41 semanas e 5 dias pelo primeiro ultrassom e 40 semanas e 5 dias pelo primeiro morfológico.

Alegria!

Foi na madrugada do dia 18.

Enfermeira já tinha levado piscina e banqueta para minha casa caso eu decidisse ter domiciliar (estava querendo, mas ainda meio insegura).

Meu marido encheu a piscina, doula e enfermeira chegaram e a fotografa também.

Decidi ter em casa, mas minha pressão voltou a alterar um pouco e decidimos ir para casa de parto. Fiz a acupuntura de novo lá e regularizou.

Optei por pagar: doula, pré natal e enfermeira pois sabia que se fosse para um hospital ou ia cair na máfia da cesárea ou sofrer procedimentos desnecessários como episiotomia. E meu bebê: corte do cordão precoce, aspiração, colírio e berçário.

E por eu saber que tudo aquilo que sofri era errado que briguei com todo mundo.

Mas estamos aqui. Felizes juntas. Passou. Tentamos.

Agora é continuar levando adiante a bandeira da humanização.

Contar minha história, ouvir outras histórias. Assim conseguiremos um nascer mais digno para nossos bebês!

E obrigada por divulgar. Que ajude outras mulheres a não passar pelo que passamos. A informação é a solução.

Sim, será feita uma denúncia. Claro que o mais importante é o bem-estar da Flora. Mas o que aconteceu com essa família precisa se combatido. Chega de violência obstétrica. E para que essa realidade mude, é necessário que o problema seja compreendido e denunciado. Por isso, estamos juntas, na luta pelos nossos direitos. Não podemos calar, não mais. #somostodxsluciana

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