Mais ocitocina, por favor

Na primeira consulta do pré-natal eu disse para minha GO que queria um parto normal.

Eu não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto, apenas sabia que era um processo doloroso.

Mas eu não pensei em dor, só queria escolher o que fosse melhor para o meu filho.

Algo me dizia que nascer era natural e isso foi o que me motivou a pedir um parto de fato.

Entretanto, durante a gestação surgiram alguns obstáculos e fui ficando temerosa.

A minha gravidez foi assistida com muitos cuidados e ainda pretendo relatar tudo aqui.

Mas a principal razão que impediu a realização daquele meu desejo foi a posição pélvica.

Teoricamente, o bebê tem que virar cambalhota e encaixar a cabeça para poder sair pela vagina.

Cada ultra que eu fazia esperava ansiosamente pela grande virada mas Théo permaneceu sentado.

Até brincava dizendo que assim que olhasse para ele perguntaria: filho, por que você não virou.

E no dia 20 de junho de 2008, em plena sexta-feira de lua cheia nascia de bunda para cima minha cria.

Não fiquei frustrada, pois na época, eu achava que era o que tinha que ser feito mesmo.

Quase seis anos depois, nascia em um parto domiciliar o Blog Palavra de Mãe no dia 15 de janeiro deste ano.

Posso dizer que essa experiência me deu a oportunidade de conhecer (e estudar) o parto.

Ontem eu fiquei surpresa com Théo pois ele veio me dizer o que tinha aprendido na aula da mãe de Valentina.

Mamãe, você sabia que algumas mulheres não precisam cortar a barriga para o bebê nascer.

É só respirar bem fundo e fazer força que ele nasce.

Fiquei tão orgulhosa com o que ouvi do meu filho, quase explodi de alegria! Emocionei.

Hoje encontrei com a mãe de Valentina e perguntei se ela trabalhava com grávidas.

É assim que estou: buscando informação e me empoderando! Tudo pelo parto natural.

Descobri que há uma diferença entre normal e natural. Normal é natural.

Até prefiro pensar que uma cesárea me livrou de intervenções desnecessárias.

Episiotomia, Manobra de Kristelle e toques vaginais frequentes são exemplos de violência obstétrica.

Parir é fisiológico e isso é possível com o acompanhamento de uma doula.

Sim, estou defendendo o hormônio do amor, mais conhecido como ocitocina.

Não, não descarto uma cesárea, reconheço sua importância e o avanço que representa.

Diz a lenda que o nome desse tipo de cirurgia veio do imperador Júlio César.

Pinturas retrataram o romano saindo da barriga da mãe, mas o conhecimento médico não teria salvado Aurélia da morte.

O que se sabe é que ela viveu por muito tempo, inclusive viu o filho conquistar a Gália.

Entretanto, uma história passada em uma pequena cidade da Suíça é a mais perto da realidade.

Um mulher entrou em trabalho de parto e treze parteiras tentaram, mas não obtiveram sucesso.

O marido dela, que era castrador de porcos, fez um corte no abdômen da esposa e salvou mãe e filho.

Ao longo dos anos, ela teve outros filhos, inclusive gêmeos, de partos normais.

Uma gravidez pode chegar até 42 semanas, mas ainda sim, nascemos prematuros.

Existe uma teoria conhecida como extero-gestação que considera o quarto trimestre.

A natureza é tão sábia (e divina) que nascemos antes para que a cabeça passe pelo quadril.

Eu lembro bem que após o terceiro mês meu filho ficou mais independente e esperto.

Antes dos três meses seu mundo se resumia ao meu peito e ele dormia horas seguidas.

A recomendação da Organização Mundial de Saúde é de que até 15% das situações sejam casos de cesárea.

Mas no Brasil, essa taxa é de 53%. Ou seja, um exagero. Pois uma cirurgia oferece riscos de morte para a mãe.

Já para os recém-nascidos, muitos nascem antes do tempo o que pode causar problemas respiratórios.

O agendamento do parto é uma prática comum dos dois lados: conveniência da mãe e do médico.

São as famosas cesáreas eletivas. A minha, inclusive, foi uma (aumentei a estatística).

Por isso, tomei as injeções de corticoide para fortalecer o pulmão de Théo.

Minha médica tinha uma viagem marcada na minha DPP e eu não me imaginava sem ela.

Se um dia eu engravidar novamente, buscarei ter um parto humanizado.

Com muita ocitocina e bebê mamando no colo quentinho da mamãe.

Sinto que atravessei um ritual de passagem. Foi um parto e aconteceu naturalmente.

renascimento

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2 comentários em “Mais ocitocina, por favor

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