De mãe para mães

Andreia Nobre é ativista e fez um relato (grifos meus) para o Blog Palavra de Mãe.

Sou jornalista e professora primária formada. Nascida no Rio, criada no interior. Minha mãe, apesar de agora sabermos que ela sofreu violência obstétrica em seus partos normais, nunca me amedrontou para ter um. Afirmava que era o melhor para mãe e bebê. Na sua falta de informação sobre um parto humanizado, prevaleceu a sabedoria instintiva da mulher.

Portanto, nunca cogitei uma cesárea eletiva. Nunca achei que fosse aceitável. E sempre achei que eu tinha que passar por essa experiência, mesmo que para isso tivesse um parto com intervenções. Porque eu também sabia, instintivamente, que aquilo era importante, e que nascer de cesariana desnecessária era falta de respeito comigo e com o bebê.

Quando finalmente engravidei, eu já morava na Escócia, Reino Unido. Fomos ao médico de família e ela nos encaminhou para uma equipe de parteiras. Para elas, eu já fui logo dizendo que queria um parto normal. Cesárea, só desmaiada. E elas disseram que em UK não se pode optar por uma cesárea agendada sem real indicação porque era perigoso para mãe e bebê.

Aliviada, perguntei quando iria ver o médico. E então elas disseram que gravidez não era doença e que, portanto, eu só veria um médico caso houvesse alguma complicação. Na hora achei estranho. Mas a cada consulta ficava mais tranquilizada.

E assim, pari meu primeiro filho, após 114h de trabalho de parto. Foi demorado? Um pouco. Provavelmente, porque eu não andei muito durante a gravidez. No Brasil, ensinam às mulheres que na gravidez tem que fazer muito repouso. Mas também eu achava que era “maldade” não induzir o parto depois de 40 semanas, que tinha que fazer corte porque deixar rasgar era pior, que tinha que parir deitada…

Uma a uma, as informações reais a que eu tinha acesso descontruíam a imagem que eu tinha do que era um parto normal e me colocaram no caminho do ativismo.

Quando eu estava grávida do meu segundo filho, uma amiga querida no Brasil também esperava outro bebê. Ela é enfermeira e puxou conversa comigo. Quis saber como tinha sido meu parto. E começou a abrir os meus olhos quanto ao cenário de violência obstétrica em que as mulheres brasileiras estão inseridas.

Naquele momento, comecei a pesquisar, e descobri que havia pouca informação a respeito. Aliás, não havia informação sobre quase nada. Busquei páginas sobre o assunto e só achei duas. Perguntei às amigas qual era a opinião delas, só para receber duras críticas para não me meter onde não era chamada.

Então, olhei cada vez mais a fundo a questão. Fiz amizade virtual com outras mães e mulheres que pareciam pensar como eu e percebemos, juntas, que quando a mulher se informa de verdade, ela nunca opta pela cesárea eletiva, sem indicação real. Foi então que surgiu a ideia de ajudá-las a se informarem minimamente.

Na sua primeira consulta em UK, você recebe um guia de gravidez básico mas muito esclarecedor. Primeiramente, criei uma página no Facebook para divulgar as minhas “descobertas”. Fazia posts com mitos e fatos sobre o assunto. Mas uma ideia foi se tornando cada vez mais forte: precisava passar aquele conhecimento à quem dele tinha necessidade.

Baseada no guia de gravidez escocês, o Ready Steady Baby, elaborei um material também simples, de linguagem informal, para ser distribuído gratuitamente como o guia que eu recebi. O seu objetivo é introduzir à gestante ou tentante à maternidade com respeito, trazendo informações baseadas em evidências, porque a única forma de compreender o que é melhor para mãe e bebê é aceitando a condição feminina.

Parto normal não é coisa feia. Não é sofrimento. Não é dor de morte. Não estraga os genitais. Não causa problemas no bebê. Não é perigoso para mãe ou bebê. Não precisa de intervenção médica em uma mãe saudável, com uma gestação de baixo risco que correu normalmente, e que não apresenta nenhuma intercorrência.

A melhor coisa que uma mãe pode oferecer ao seu bebê antes dele nascer é manter-se saudável na gestação. A segunda é ter o seu filho através de um parto normal. Qualquer fonte que lhe garanta que a cesárea eletiva é tão segura quanto um parto normal é duvidosa. Informe-se, empodere-se e ajude a quebrar o ciclo da violência obstétrica.

Para mudar o mundo, é preciso mudar a forma de nascer. Michel Odent

Se você quer se tornar uma mãe empoderada está no caminho certo.

Informação faz parte da construção de qualquer conhecimento.

Este é o link onde está disponível o guia De Mãe para Mãe.

Tem muitas dicas para uma maternagem empoderada!

No Facebook, curta a página Gravidez não é doença.

***

Andreia, não quero somente agradecer a sua participação aqui no blog.

Sua contribuição com o guia é simplesmente uma prova de doação.

Tenho muito ainda o que aprender e sei que posso contar com você!

allaiter-les-pieds-sur-terre-banniere

Ilustração linda da francesa Anne.

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Um comentário em “De mãe para mães

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