Puxe a cadeira e sente

Traga uns biscoitinhos e um café para acompanhar.

Eu tinha preparado para hoje um post sobre enjoo na gravidez, mas mudei de ideia quando me deparei com uma VAGINA.

Sou jornalista e quase especialista em leitura e produção de textos.

Aprendi na universidade que devemos ser imparciais por uma questão de ética.

Particularmente, não acredito na tal imparcialidade, pois cada texto carrega um propósito.

Empresas jornalísticas têm linhas editoriais e jornalistas bagagem com crenças e opiniões.

Reconheço que a escrita é um estilo subjetivo e cada um escolhe seu léxico.

Sou mãe e na minha primeira consulta com a GO disse para ela que queria ter um parto normal.

A gestação inteira meu filho ficou na posição pélvica, ou seja, não virou e encaixou.

Théo nasceu em uma cirurgia porque era aquela a opção que restava.

Naquela época, eu não conhecia a expressão parto humanizado.

E, sinceramente, se não fosse a internet, eu não saberia o que é um parto natural.

Pensando nisso, usei o blog para espalhar a semente da humanização do parto.

Já publiquei aqui um post sobre doula com um texto enviado pela Erica de Paula, co-autora do documentário Renascimento do Parto.

Ontem mesmo, compartilhei o relato do parto domiciliar da Flávia Maciel, GO e defensora da humanização do nascimento.

Quero que o blog alcance muitos corações, não canso de repetir.

E foi por isso que mudei a pauta de hoje, pois tinha uma vagina no meio do caminho.

Há três dias, saiu no site da Folha um artigo sobre a publicação de fotos de partos no Facebook.

O título: Gata, eu não quero ver a sua xota.

A autora: Tati Bernardi, escritora, redatora, roteirista de cinema e televisão e quatro livros publicados.

Não pretendo avaliar o que ela defendeu ou repudiou.

Apenas reduzo um único comentário: o ethos escolhido passa a imagem de uma adolescente.

Mas uma história tem muitos dois lados. E é sobre esse outro lado que vou abrir espaço.

Você, que está aí sentada na cadeira da sala, já deve ter até terminado o café.

Eu te convido agora para fazer uma faxina na mente, afaste conceitos mal concebidos e deixe espaço para boas novas.

Motivada pela leitura em questão, a Ligia do blog Cientista que virou Mãe nos presenteou com um precioso esclarecimento.

Ela deu a luz ao post Gata, eu quero ver você parindo!

Longe de ser uma “fofolete mala pseudo socióloga com profunda incapacidade de interpretação de texto”, ela é pesquisadora da assistência ao parto no Brasil.

O post começa com depoimentos de mulheres e do pai do Igor. Lembrei logo do Pedrinho.

Depois a Lígia relata o conhecimento de casos de violência obstétrica e se diz alegre quando abre uma rede social e vê um parto vaginal.

Peço licença, para colocar o seguinte trecho:

Muita gente que está hoje na luta pela humanização do parto – alheio ou próprio, vagina sua ou vagina alheia – está nessa justamente por um dia ter visto uma foto de parto, um vídeo de parto, onde – olha que surpresa! – tinha uma vagina parindo. Como as pessoas dos relatos que abrem esse texto. Não é surpreendente que encontremos vaginas em partos ainda hoje?! Muito surpreendente. Principalmente em um país onde os hospitais […] batem os 98% de cesarianas. Ver um parto vaginal é, mesmo, um evento em extinção. E eu, como bióloga que sou, tenho uma queda por salvar o que está em extinção. Então, repito: gatas, não escondam suas vaginas parindo! Nós queremos ver!

Conclusão: algo de errado não está certo.

Não podemos deixar que o movimento pela humanização do parto seja tratado com mimimi.

Poupem-nos! Será que faltou inspiração???

Na minha linha do tempo, diariamente, vejo fotos de bebês nascendo pelas vaginas de mulheres que lutaram pelo direito de escolher seu parto.

Aparece para mim porque toda fan page sobre partolândia eu curto!

Sinto tanto orgulho de ser mulher e fértil. Saber que posso parir só aumenta o meu empoderamento.

Receber sua cria por esforço próprio sublima toda a dor.

A página da T. Bernardi eu também já tinha curtido, apesar de não receber suas atualizações.

Então, acho que não vai me fazer falta se eu descurtir. O que acha?!

Afinal, cada usuário escolhe o que quer ver na sua timeline  (não esqueça)!

Eu não tenho coluna na Folha, fiz um blog (sem domínio próprio) para declarar a minha palavra de mãe.

Agradeço a sua leitura e volte sempre que quiser!

Parto-Catarina-24

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4 comentários em “Puxe a cadeira e sente

  1. Adorei!! Pq nao conheci todas vcs antes de (nao) parir?!! Adoro ver vaginas parindo, fico com uma pontinha de inveja, confesso, mas muito feliz por ainda nao estar em extinção total o parto normal!!

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  2. oi….meu nome é rayanny macedo e gostaria de dividir minha historia com vocês……
    eu tenho uma filha de de quase 7 anos,e ela nasceu em Brasília DF de parto normal. Na época eu achei aquele parto anormal ,pois passei 24 horas em trabalho de parto e com o soro para induzir a dilatação …morreeeeeennndo de dor…..Porem no dia seguinte estava ótima e super disposta para cuidar da Alice!
    Meu marido é militar…e em 2011 fomos morar no interior do amazona(fronteira),e no fim de 2013 fomos enviados pra Cuiabá(que nos não conhecíamos ). Nas ferias descobrimos que eu estava gravida novamente, e ao chegar em cuiabá fomos procurar um hospital que atendesse pelo Fusex(convenio medico do exercito), e para nossa surpresa só havia o Hospital São Matheus.
    Marquei uma consulta d pré natal, e na primeira consulta a medica foi falando:
    olha rayanny se você quiser um parto normal eu cobro por fora pois o plano paga muito pouco…..tipo 4000,00(quatro mil a mais),pois o plano só paga pra ela 300.
    Vejam se isso tem cabimento ???(meu marido ganha cerca de 3300,00 por mes e eu nao estou trabalhando….o orçamento entrando em colapso total…. tipo despesa maior q salário l)
    meu plano o FUSEX vai pagar pelo procedimento cerca de 6000,00(e nos é repassado 20%) ….e fora isso ela quer receber quatro mil!!!
    fiquei revoltadíssima!!! e fui ao convenio fazer uma denuncia pois achei que a medica estava agindo de maneira ilegal……. mas uma vez rráaaaaa …pegadinha do malandro….. a tenente responsável falou que a medica poderia cobrar o valor que achasse correto ! e que isso era uma pratica legal em Cuiabá.
    Fiquei sem chão e procurando uma solução para o meu problema….Depois de todo esse circo é lógico que nao quero que essa BANDIDA faça meu parto e tenho q acha uma saída !
    pensei então que o medico plantonista do hospital poderia me atender….ok?! ERRADO !!! MAIS OUTRA SURPRESA !!! NÃO HÁ OBSTETRA PLANTONISTA….. DESCOBRI ISSO DA PIOR MANEIRA…..estava passando mal com uma dor horrível nas costas e na barriga…. fui a emergência e a recepcionista falou que o hospital não dispõe d plantão para gestantes nem plantão para pediatria! e ai o q fiz?
    Voltei pra casa com dor e orei muito…..pedindo a deus que nos protegesse muito ….
    graças a deus no outro dia estava me sentindo melhor!
    Agora estou com 22 semanas e sem uma solução para o parto!!!
    o q devo fazer na opinião de vcs?

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    1. Rayanny, eu moro em Santos, e aqui, apesar de haver plantonistas, não há atendimento adequado. Há hospitais com taxa de 90% de cesáreas. A minha opção (estou grávida de 20 semanas) está sendo pelo parto domiciliar, com acompanhamento de obstetriz (parteira) e enfermeira. Mas tb vou pagar por isso. Ou isso, ou pagar ao meu obstetra (mais do que pagarei para as duas), ou me arriscar com plantonistas desses hospitais. Se vc não pode pagar, veja se há algum hospital público com atendimento mais humanizado. Se puder pagar ao menos por uma doula, vc pode tentar ficar em casa o máximo de tempo possível e adiar o quanto puder a ida para um hospital (público por conta do plantonista), para evitar indicações fictícias de cesárea. Outra coisa que fazem por aqui é pagar o médico e depois pedir um reembolso ao plano, (ainda mais no seu caso que o mesmo credencia maternidades sem plantonistas). Mas daí vc teria que pagar da mesma forma e também estar disposta a uma briga, caso não consiga diretamente com o plano… Procure por grupos de apoio ao parto (pelo facebook pode ser que encontre) que podem te ajudar, já que vc chegou na cidade “ontem”. Boa sorte!

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