Filho único não tem irmão

Recentemente, publiquei na minha linha do tempo:

O que é mais importante: pagar uma boa escola, oferecer conforto e tudo mais o que dinheiro pode comprar. Ou ter que reduzir seus gastos e ter outro filho? Estou pensando nisso, porque sempre quis filho único para oferecer as melhores oportunidades. Mas esse senhor chamado tempo vai mostrando um outro lado da vida e a gente reflete…

Na balança: o alto custo do indivíduo x planejamento familiar.

O fato é que vivemos em um sociedade consumista e não tem como ficar fora do sistema.

Acabei de encontrar, por acaso, um texto que fiz quando ainda não era mãe (mas sabia que seria).

O século XXI e o filho único

A tendência dos próximos anos é a política do filho único. Em razão do alto custo de formação do indivíduo, aumenta o número de casais que decidem por só ter um filho. A ideia é poder proporcionar à criança uma vida estável e um futuro promissor.

Se nos anos 90 o que justificava a queda da taxa de fecundidade era a ascensão da participação da mulher no mercado de trabalho, no início do século XXI o que explica a diminuição do número de filhos, é a questão financeira. Ter filho implica em gastos por, no mínimo, os próximos vinte e poucos anos da vida dele. Por todo esse tempo os pais terão despesas com saúde, educação, alimentação, vestuário, entretenimento, etc.

Saber a hora de dizer “não” ou “sim” e estabelecer limites não são mais as únicas preocupações em educar um filho. Diante da realidade sócio-econômica de países em desenvolvimento, trazer para o mundo um novo ser custa caro, principalmente quando se deseja que ele desfrute de todos os apelos consumistas expostos nas vitrines e prateleiras.

No mundo competitivo e globalizado, a opção de ter um único herdeiro significa poder investir mais e melhor em um futuro profissional e viabilizar meios para que ele consiga uma vaga no mercado de trabalho. Dessa forma, os pais buscam proporcionar a melhor escola, cursos, intercâmbio, universidade, MBA.

Antes, os casais tinham receio em optar por um único filho, pois se preocupavam com o medo de criar uma criança muito protegida, ciumenta e com dificuldade de socialização. Agora, escolher apenas um filho é uma forma de tentar livrá-lo de qualquer tipo de exclusão que o sistema vigente possa submetê-lo.

***

Não sou filha única.

Tenho um irmão e ele é muito importante na minha vida.

Quando descobri que estava grávida ele foi a primeira pessoa (depois do pai) para quem contei.

Lembro ainda da cena eu ligando de um telefone público para Brasília.

E voltando aos meus textos de antigamente…

Comemoremos o Dia do Irmão 

Por todo o ano comemoramos datas especiais, são as datas comemorativas. Trocamos presentes, cartões, palavras, beijos e abraços.

Há datas que comemoramos e nem sabemos mesmo o porquê. No entanto, é preciso saber o significado das comemorações. Por exemplo, o Dia Nacional da Poesia é comemorado no dia 14 de março, porque essa é a data do aniversário de Castro Alves, grande poeta do século XIX. Outras, que passam despercebidas: você sabia que existe o dia da saudade (30/01), do beijo (13/04), do silêncio (07/05), dos solteiros (15/08), dos amantes (22/09) e o da lembrança (26/12)? Pois é, existe! Sem falar nas “datas comerciais”, como o Dia dos Namorados, no Brasil. Na década de 1940, um publicitário escolheu essa data para a comemoração, pois era junho, um mês fraco para os comerciantes e, dia 12, véspera do dia do santo casamenteiro, Santo Antônio.

Existem muitas datas comemorativas, assim como um mesmo dia com mais de uma comemoração. Isso porque, cada país, cada cultura, cada religião tem o seu calendário de comemorações. Mesmo assim, diante da diversidade de datas, desconheço algum povo que comemore o Dia do Irmão. Por isso, quero instituir a data para essa comemoração: 21 de agosto, dia do aniversário do meu (único) irmão.

A homenagem tem sua razão de ser: sou irmã mais nova – sete anos, de um homem. Sinto-me privilegiada. O privilégio nunca esteve em ser protegida pelos nossos pais por eu ser a caçula ou em não ter que dividir as roupas por sermos de sexos opostos. É algo bem maior. Com ele aprendi lições da escola e desenvolvi sentimentos – aos 10 anos tive crise de ciúme quando ele teve a primeira namorada, deixei de falar com a menina. Aos 13, o ouvia cantarolando De Mais Ninguém no banheiro e descobri as músicas de Marisa Monte, que desde então, embalam minha vida. Tomei o gosto pela leitura, pois o via recitando Augusto dos Anjos pela casa – algo que dizia que a mão que te afaga é a mesma que te apedreja e que a boca que te beija é a mesma que te escarra (eu achava isso nojento), e dando aulas de História para nossa mãe. […]

Meu irmão sempre foi um ponto de referência pra mim. Ele é uma espécie de bússola, pois me orienta. Quando faço algo quero sempre saber sua opinião, principalmente dos textos que escrevo. Nossa relação é de amor. Estamos sempre a querer o bem um do outro e, assim, desenvolvendo respeito e confiança, virtudes essenciais ao ser humano.

Quando pequenos, brincávamos e brigávamos, também. Crescemos e nos tornamos companheiros, cúmplices e confidentes.

Se você tem um irmão, comemore! Pois ter irmão, é ter um amigo com alguns caracteres genéticos iguais aos seus (o que resulta em alguma semelhança física) e que para sempre estará ao seu lado, em todos os momentos da sua vida. Quer coisa melhor? É com ele que você vai aprender a compartilhar, […]. E compartilhar é uma troca em que se doa e se recebe ao mesmo tempo, experiência essa que se aplica em todas as outras.

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