“Minha maior expectativa é poder trabalhar plenamente na área que amo e tanto me dedico podendo oferecer o que há de melhor às mulheres natalenses, de acordo com a escolha de cada uma.” Dra. Karina Cavalcanti

Minhas queridas manas e mamas de Natal, nossa cidade ganhou uma obstetra que pratica medicina baseada em evidências. Que presente! Conheci a Doutora Karina ontem e logo fiz o convite para esta entrevista. A foto da capa é o ensaio que ela fez com a fotógrafa Priscilla Amorim. Sim, Antônio vem aí! Além de falar sobre sua profissão, a Dra. Karina contou como é vivenciar sua própria gestação.

Blog Palavra de Mãe – Como foi a escolha pela medicina (obstetrícia)?

Dra. Karina Cavalcanti – Sou pernambucana e recifense, porém fui criada no interior do estado de PE, na cidade de Petrolina. Quis ser médica desde os sete anos de idade, e para perseguir meu sonho aos 15 voltei para Recife, onde estudava e morava em casa de estudantes. Perdi minha mãe aos quatro anos por um câncer hoje curável: o de mama. Minha mãe era médica veterinária e nos poucos anos que convivemos a acompanhei nas madrugadas para fazer alguns partos… Acredito que as duas experiências me fizeram aficionada pela área encantadora e sublime que é a da saúde da mulher!

Blog – O que te fez seguir para a humanização do parto?

Dra. – Comecei a acompanhar partos há seis anos, ainda na faculdade de medicina (UFPE) fiz estágios como monitora de obstetrícia do Hospital das Clínicas da UFPE e também no famoso IMIP. Vi MUITA coisa acontecer… Mas pessoas-chave, especialmente do HC-UFPE, me levaram a acreditar que podemos sempre realizar uma medicina de excelência onde quer que estejamos: principalmente, se trabalhamos com Amor e Dedicação.

Na parte científica , foi no HC-UFPE onde aprendi a praticar medicina baseada em evidências, que nada mais é do que estudos multicêntricos (realizados em vários locais e com grande número de pessoas) que norteiam as “verdades” da prática médica (ou aquilo que é o melhor para a maioria das pessoas em termos de tratamento ou procedimento médico).

Na obstetrícia (área que trata de gestação, parto e puerpério) as “verdades” mudaram muito nas últimas décadas, e grandes foram os avanços! O grande desafio está sendo incorporar essas novas “verdades” na prática de muitos obstetras com longa experiência, por quem tenho profundo respeito e já me ensinaram muito, que ainda trabalham no antigo modelo. Há também diversos mitos na mente das mulheres, que só após alguns anos e com bastante esclarecimento à população poderemos derrubar…

     Trabalho em uma área que não escolhi: foi ela que me escolheu! Por isso mesmo sendo ainda especialidade tão desvalorizada, pratico com muita alegria (mesmo que seja as 4h da madrugada)! Fazer um parto é quase como uma droga, para quem gosta mesmo é algo viciante que te faz entrar em abstinência em pouquíssimo tempo! 😂

Blog – Sobre a vinda para Natal, quais suas expectativas?

Dra. – Vim para Natal atraída pela melhor qualidade de vida e pelo cunhado também médico que já morava aqui, casado com uma médica potiguar. Meu marido é anestesista, também pernambucano, e estamos formando uma equipe que trabalha com parto humanizado sem dor (hospitalar: com analgesia de parto, para as que assim optarem). Muitas mulheres nunca ouviram falar que podem ter um parto normal com pouca dor, algo que é rotina em países como EUA e Canadá. Minha maior expectativa é poder trabalhar plenamente na área que amo e tanto me dedico podendo oferecer o que há de melhor às mulheres natalenses, de acordo com a escolha de cada uma. Além de ginecologista e obstetra, trabalho também na área de cirurgia ginecológica por vídeo e sou terapeuta sexual. Ainda estudando muito e sem pretensão de me aposentar como estudante até uns 80 anos.

Blog – Muitas mulheres adiaram o sonho de ter filho com medo do vírus da zika. Já é possível engravidar sem tanta preocupação? O que é mais importante em um pré-natal para um parto bem sucedido?

Dra. – O pré-natal começa ANTES de engravidar, e hoje essa avaliação pré concepcional está ainda mais importante. Junto com o diagnóstico e controle de doenças já existentes (muitas são descobertas neste momento) e que podem piorar na gravidez, reposição de vitaminas/minerais essenciais para o desenvolvimento do embrião e até mesmo orientações como o uso de repelentes! Preocupação é algo que devemos converter em proação, procurar se cuidar sempre e confiar no seu médico-assistente. O zika parece ter dado uma trégua mas não devemos o esquecer jamais, pois o vetor (mosquito) ainda não foi adequadamente controlado. Hoje sabemos que mais de 80% das complicações do parto poderiam ter sido detectadas e prevenidas pelo pré-natal adequado… Então, ele é essencial para o nascimento de uma mãe e bebê saudáveis.

Blog – Você está grávida, à espera de Antônio, como está sendo gestar…

Dra. – Antônio é um bebê muito esperado, já amado antes de ser. Na verdade, sou da linha grávida/mãe consciente e sei que não é um romance de novela. Estou vivendo cada alegria, cada alívio e cada queixa das minhas pacientes e sei que são bastante limitadoras. Nunca menosprezei nenhum sintoma das pacientes, quem faz pré-natal comigo sabe. Apesar de ser sublime e maravilhoso, gravidez não combina com a vida agitada e sem cuidados da mulher moderna (como era a minha antes de planejar a gravidez). Então, estou tentando seguir minhas próprias recomendações, e não é que dá certo??!! Torcendo agora e ansiosa pelo grande momento: meu parto! Será aqui em Natal, acompanhado por dois colegas que são da linha humanista como eu, respeitando os meus desejos, mas acima de tudo preservando e cuidando da nossa saúde.
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Acompanhem o trabalho da Dra. Karina pelo @drakarinacavalcanti.

Bichinho de estimação {livro infantil}

Muitos são os benefícios que o convívio com animais de estimação traz para as crianças.

Quando Théo quis um bichinho de estimação escolheu um hamster e colocou o nome de Zico que é um macaco no desenho Peixonauta.

Zico fez parte da nossa família durante dois anos (até abril).

Théo sofreu (chorooou) com a partida e fez um desenho mostrando as fases do ciclo de vida do seu bichinho de estimação.

Tenho certeza que ele vai levar essas lembranças na memória.

Mês passado, a editora Paulinas lançou o livro Bichinho de estimação da escritora Edméa Campbells.

Théo leu a história em menos de 15 minutos e já veio me mostrar a última página achando engraçado o desfecho!

Dona Vaca encontrou o Potrinho andando muito triste pelo pasto. Ele havia perdido seu bichinho de estimação. A Vaca resolveu ajudar o amigo a procurar pelo seu bichinho. No meio do caminho encontraram outros animais que também quiseram ajudar. O Macaco, o Pato, o Porco, a Formiga, o Galo, o Gato, todos queriam ajudar o Potrinho a solucionar o mistério. Será que eles conseguiram?

O livro faz parte da coleção “Livros divertidos – Série cadê?” e tem ilustrações aquareladas da desenhista Cris Eich.

Guia para pais e educadores {Infância vivenciada}

Estamos na Semana Mundial do Brincar, uma mobilização que tem como objetivo promover a consciência sobre a importância do brincar. Quem organiza a ação é a Aliança pela Infância, um movimento internacional por uma infância digna e saudável que chegou no Brasil em 2001.

A infância é a fase mais bela da vida. Por isso, valorizo pequenos gestos como mandar um bilhetinho na lancheira ou até mesmo dançar com meu filho. Sei que estou construindo com ele suas memórias afetivas. Ah, o bolo de cenoura com cobertura de chocolate!

Infância COM infância

A psicóloga Patrícia Gimael e a arte-educadora Selma de Aguiar realizaram vários cursos dentro do movimento da Aliança pela Infância e esse projeto acabou virando um livro intitulado Infância vivenciada, publicação da editora Paulinas que me enviou um exemplar.

A criança quer e precisa ter vivências reais e saudáveis.

É um manual que descreve as diversas etapas do desenvolvimento infantil, inclusive, a puberdade e a adolescência. O objetivo é incentivar uma educação lúdica e de valores éticos. Tem versos, histórias, canções, receitas, trabalho manuais (com moldes), confecção de brinquedos e até sugestões para comemoração de aniversário.

Apesar de eu não ser pedagoga (se bem que minha sogra diz que eu tenho jeito de professora), sempre estou buscando conhecimento na área. Justamente, porque gosto de acompanhar com entendimento as fases que Théo passa. E acredito que muitos pais também busquem esse tipo de orientação.

A mãe não  é só aquela que oferece alimento físico, que se esforça para oferecer a melhor educação, mas ela mesma é a portadora da substância que alimenta a alma do seu filho.

Mãe guarda as seringas usadas durante a gestação e o resultado é um ensaio newborn cheio de amor

Foram mais de 300 injeções de anticoagulante também conhecidas como #picadinhasdeamor. Um relato emocionante de uma mãe que enfrentou a trombofilia para realizar o sonho de ter o segundo filho.

Meu nome é Isabel, tenho um filho de 15 anos de uma gestação normal sem nenhuma intercorrência de parto cesariana em 2002. Até os nove anos dele eu não queria ter mais filhos.
Descobri meu segundo positivo em 2011 e me apaixonei de primeira pela ideia da maternidade pela segunda vez. Perdi com seis semanas. Um aborto retido,  doloroso, alma ferida… Já amava muito meu filho.
Em 2013, engravidei novamente depois de tanto tentar e esperar. Perdi também nas mesmas circunstancias do primeiro aborto. Seis semanas, retido, outra curetagem depois de dez dias que soube que ele não tinha mais vida. Sofri tudo!
Não desisti do sonho plantado no meu coração e fui em busca de respostas para as minhas perdas em 2014. Ginecologista,  obstetra, geneticista, hematologista, endócrino  (tive um tumor hipofisário que dificultava engravidar)… Enfim, descubro-me trombofílica. Uma pancada em mim. Não sabia de nada sobre essa condição. Desesperei-me,  achei, por um instante, que talvez não conseguisse mais ser mãe novamente.
Em 2015 o mais esperado positivo… Desespero, alegria, medo, amor tudo junto. Já com o diagnóstico em mãos, sabia que teria que tomar todos os dias uma injeção anticoagulante. Isso seria doloroso mas a alegria de uma nova chance com tratamento me deixava um pouco tranquila.
Na primeira ultrassom, uma grande surpresa… Eram dois, gêmeos.  Eu não cabia em mim, a felicidade era astronômica. Meu Deus… Gêmeos! Família enlouquecida… O medo do tratamento não dar certo e a alegria de ser gêmeos.
Fui na fé…
Sofri dobrado.
Síndrome do transfusor transfundido – STT, trombofilia e cirurgia intrauterina. Primeira internação na MEJC – Maternidade Escola Januário Cicco por uma semana depois de duas tentativas de realizar uma amniocentese sem sucesso. Segunda internação em Recife no IMIP – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira para realizar a cirurgia intrauterina na tentativa de viabilizar o fluxo sanguíneo para os dois bebês já que só um estava recebendo normalmente e o outro não e também para retirada de 3,5 l de líquido amniótico em excesso. 13 dias de internação, deu tudo certo. Voltei pra casa com meus filhos quase no mesmo peso… Uma semana depois tive uma paralisia facial, quatro dias depois meus bebês não mexeram mais. Perdi-os para a trombofilia.
Pior dia da minha vida… Desejei a morte também. Eles já estavam com 27 semanas, tínhamos todo o enxoval, a família toda envolvida, meu filho ia realiza o desejo de ter um irmão.
O obstetra que me acompanhava disse que eu não tentasse mais. Depressão, choro, desespero, surto, perda de peso, insônia… Muita medicação pra tentar manter o equilíbrio perdido. Eu não tinha mais vida.
Quatro meses depois, já em 2016, pra minha grande surpresa eu estava grávida novamente. Mais uma vez um misto de sentimentos, aflição em pensar que eu poderia viver tudo novamente me destruía. A alegria que senti em saber que mesmo em meio a uma tristeza profunda Deus não tinha esquecido de mim e me dava mais uma oportunidade e eu não podia deixar escapar. Coloquei minha dor de lado e fui cuidar do meu filho que já crescia dentro de mim.
Mais de 300 injeções, AAS*, todas as vitaminas que se pode imaginar. Pré-natal a cada 15 dias, repelente em todo corpo toda hora. E na minha cabeça e coração só se passava: eu vou vencer a trombofilia!
Meu Benício nasceu com 36 semanas tão bem que ficou comigo até o último ponto ser fechado pelo obstetra. Minha família toda na maternidade… Eu tinha sonhado com aquele dia muitas vezes… Hoje ele é minha vida, minha maior alegria junto com o irmão.
Quando descobri a trombofilia, em 2014, entrei em um grupo no Facebook chamado Trombofilia e Gestação. Cada mãe faz uma foto do seu tão sonhado filho com as seringas. Eu eu a fotógrafa optamos pelo coração com ele dentro e tive a ideia de colocar uma na mão dele para passar a mensagem que com o tratamento é possível realizar o sonho de se ter um pequeno mesmo com trombofilia.
Ainda que muito triste com todas as minhas perdas,  no mais profundo do meu íntimo eu sentia que minha história como mãe não tinha acabado ali diante daquela dor insuportável que foi ver meus dois filhos sem vida. Eu ainda teria o colo cheio novamente… Sempre acreditei nisso. Não desistam de um sonho plantado no coração… Deus realiza milagres.
*A aspirina tem efeito anticoagulante.

É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança {provérbio africano}

O dia das mães vem carregado de emoções.

A maternidade envolve tantos sentimentos.

Você quer ter o controle de tudo (mas não tem).

É uma grande responsabilidade (talvez a maior de todas).

Daí que nasce a famigerada da culpa (da mãe, é claro).

E onde eu quero chegar? Na aldeia. Uma rede ativa de apoio.

Por uma maternidade com mais acolhimento e menos julgamento.

A gente sabe que filho não vem com manual.

É uma descoberta maravilhosa mas desafiadora.

Você testa seus conhecimentos e limites.

Sempre tentando acertar mesmo falhando.

Nós, mulheres mães, merecemos respeito.

Cada uma escolhe sua maternagem.

Nenhuma nos faz melhor ou pior.

Vamos distribuir mais amor e empatia.

Principalmente, para as mães solos.

Juntas nos fortalecemos!

Leitura para os pequeninos

O que cabe na barriga de um gatinho? E na cabeça de uma criança?

Cabe… Fê vai mostrar que cabe tudo o que a imaginação quiser!

O livro faz parte da coleção Criantiva da Paulinas Editora.

Com uma linguagem descontraída e ilustrações bem coloridas, os pequeninos vão se divertir!

É uma história engraçada e lúdica, desenhada pelo autor, o próprio Fê.

Uma boa leitura para despertar a curiosidade e criatividade!

A separação dos pais narrada pelos filhos {Livro}

Não sou filha de pais separados nem separada. Mas imagino o quanto traumática é uma separação. Principalmente, quando se tem filho.

Quanto menores as crianças, mais a comunicação verbal deve ser fática, ou seja, com mensagens simples, mas mantendo o canal de comunicação aberto para que façam perguntas à medida que sintam necessidade. É preciso dar tempo aos filhos para reelaborar o luto; os pais devem ter paciência e compreender que, se não é fácil para eles viver este acontecimento, será ainda menos para os filhos, a quem esta escolha é imposta.

Lançado no mês passado pela Paulinas, o livro Equilíbrio instável tem como objetivo oferecer ajuda a quem vive a separação, sem julgamentos.

O livro traz depoimentos de filhos adultos de pais separados.

Ennio Pasinetti e Mariella Bombardieri justificam a escolha:

Não nos parecia justo, de um ponto de vista ético e emotivo, entrevistar crianças e adolescentes.

Inicialmente, há um breve histórico sobre a lei do divórcio e também a explicação para o título.

O leitor vai conhecer Marco e Sara, também filhos de pais separados, que estão prestes a se casar. É uma ficção para demonstrar que a instituição ainda sobrevive.

Apesar de ser um assunto que envolve sofrimento e dor, a separação é enfrentada com delicadeza.

O método utilizado para contar tantas histórias de vida acaba se tornando um encontro dos entrevistados com os próprios sentimentos.

Dar voz foi também ressignificar o passado.

Emergiu, então, aquela circularidade relacional que nasce da escuta, da troca, da partilha e que permite iluminar não somente a fragilidade, mas também a força que essas pessoas tiveram ao atravessar o sofrimento e a tensão existencial.

Além das entrevistas, alguns especialistas também fazem parte da obra.

São 152 páginas e o último capítulo é a entrevista com uma mediadora familiar.

Por mais que uma separação ocorra com bom senso e equilíbrio é preciso uma rede de apoio para amparar os envolvidos.

Acredito que até mesmo uma leitura como essa possa proporcionar esse conforto!

Ela teve hiperêmese gravídica, hipovitaminose e um parto normal

Aos dois meses eu tive uma hiperêmese gravídica. Enjoei tudo na vida, não conseguia nem tomar água. Enjoei ar condicionado, não comia nada, tinha que ser internada para ser medicada todos os dias. Litros de soro, vitaminas e complexo B, sendo furada várias vezes para conseguir acesso pela desidratação. Horrível, mas por ela eu poderia ser furada 100 vezes se fosse preciso. Tive infecção urinária, já que não conseguia tomar água e colocava tudo para fora, só conseguia ingerir o mínimo. Algumas vezes, era medicada em casa com uma enfermeira, mas a maioria no hospital, praticamente todos os dias!!! Com isso, tive uma hipovitaminose da vitamina B, que afetou minha função motora, muita dor nas pernas, mãos, câimbras, dormência e muitas quedas (sim, eu não conseguia andar sem ajuda de alguém). Sofri minha última queda com oito meses, até para tomar banho tinha que ir acompanhada com medo de cair no box do banheiro. Muita luta, choro, hospitais, furadas, medicamentos e sofrimento. Vim conseguir comer com quase sete meses, poucas coisas. Tinha noite que eu chorava para comer qualquer coisa e conseguir ficar com isso na barriga. Resultado: era a madrugada vomitando e idas à maternidade. 😭😭 Minha mãe, esposo, família enfim, todos sofriam juntos! Perdi 15 quilos grávida. 😱 Queriam tirar minha bebê a partir das 35 semanas, mas eu sabia que ia conseguir ter parto normal quando ela estivesse pronta! Deus me abençoou tive Valentina de 40 semanas e dois dias de parto normal, com peso e saúde excelente! Eu associava que precisava ter forças nas pernas, mas a força vem de dentro é surreal, fiquei em transe totalmente. Várias vezes gritava que não ia conseguir, duvidava da minha própria capacidade de parir toda hora, meu marido e minha mãe foram fundamentais no meu trabalho de parto ativo. A caminhada foi difícil mas eu consegui, hoje ela está com seis meses de pura gostosura e saúde! E a minha palavra principal é GRATIDÃO a esse Deus maravilhoso que não me deixou desistir de lutar em nenhum momento pela minha baby, onde tantas vezes eu duvidei da minha própria capacidade de parir!!! O que eu quero dizer com esse texto? Apenas que o extinto de mãe supera tudo e qualquer problema.

Relato por  Jéssica

Carta para minha filha

Filha, esta carta é para te lembrar o quão especial é ser mulher.
Mas por favor: antes de enumerar mil e um motivos sobre o que você leu do quão difícil é ser mulher nos dias de hoje, permita-se ouvir.
Nós temos o poder de sentir o invisível: de agir com o amor, mesmo agindo com a razão (quem foi que te disse que essas duas coisas não podem andar de mãos dadas?!).
Quem é capaz de gerar uma vida, é realmente o oposto do sexo frágil.
Desejo que você sinta seu coração palpitar por muitas e muitas pessoas. Que você acorde querendo distribuir amor, e que isso não seja visto como um problema para aquele(a) que você escolher dividir a vida.
Que você faça muitos corações pulsar tendo garra para lutar contra toda e qualquer injustiça.
Que você diariamente se proponha a ser a mudança que você quer ver no mundo.
Que você cuide do mundo todo, unindo a mistura que só nós mulheres conseguimos unir: coragem e doçura.
Que siga sendo o equilíbrio entre força e leveza.
Desejo que você multiplique seu tempo se isso te der prazer. E quando não te der, que você aceite que não dá pra abraçar o mundo todo de uma só vez.
Que você um dia experimente a sensação deliciosa de ser mãe, se essa for sua vontade. E se não for, que você possa ter por perto, muitas e muitas crianças para te lembrarem diariamente o que realmente importa na vida e como é fácil ser feliz.
Aliás, não se preocupe em querer ter o melhor currículo. Ou se preocupe se isso aquecer seu coração. Mas lembre-se que mesmo tendo pós-doutorado e muitos MBA’s , o que você vai aprender de mais valioso, acontecerá durante a troca de experiências com alguém.
Não deixe que te façam acreditar no “milagroso poder do Diazepam”. Saiba que existe algo chamado sororidade que é muito mais eficiente. E para isso, seja parceira. Abrace suas amigas, ofereça seu colo, seja o porto seguro uma da outra. O universo é generoso com quem deixa a porta do coração aberta.
Não acredite também no “Projeto Verão” daquela blogueira diva. Ela recusa vários cafés da tarde com boas amigas para “conquistar” aquela barriga chapada. Não se empenhe em “conquistar” coisas a mais. Ou kg a menos. Você não precisa disso pra ser feliz. Conquiste pessoas, isso sim valerá a pena!
Cuide do seu corpo por ele ser o templo que envolve sua alma. Aliás, cuide de sua alma ainda mais. A beleza interior transborda pro externo.
Seja aquilo que você quiser ser. Permita-se escolher toda e qualquer profissão ou atividade, e use como maior critério nessa escolha, aquilo que te faz feliz.
Seja bailarina se assim você quiser. Ame cor de rosa, vestidos, e saiba tudo sobre as princesas se isso for motivo pra fazer seu coração disparar. Senão, saiba que tá cheio de outras coisas e cores que podem te fazer feliz.
Seja jogadora de rugby se isso te fizer sorrir. Entenda que você pode ser tudo que sonhar: de trapezista de circo a presidente da ONU.
Dance com a vida. Sorria quando te disserem que você não está preparada para determinada situação. Não se deixe abater, escute somente seu coração e siga em frente naquilo que você se propuser a fazer.
Aceite seu corpo; seu cabelo e mude somente quando (e se) isso for sua vontade própria.
Não enxergue a maquiagem como sua melhor amiga. Tá cheio de mulheres incríveis por aí, dispostas a serem suas amigas, que vão te fazer gargalhar e proporcionar momentos deliciosos, te deixando ainda mais maravilhosa que o kit completo da MAC.
Escolha qual mídia te representa. Escolha qual mulher você admira. E se isso não for opinião da grande maioria, não se preocupe, as diferenças existem para serem celebradas!
Escolha pra dividir a vida alguém que saiba que somos incansáveis, e que ao mesmo tempo, esteja disposto a ser seu melhor aconchego. Não aceite nada menos do que RECIPROCIDADE: seja no amor, seja no cuidado com a família, seja na divisão de tarefas, seja no sexo, seja na troca de experiências. E quando estiver cansada, permita-se descansar. Você é humana!
Sua felicidade não é responsabilidade de ninguém além de você mesma.
Viva diariamente o lema do “Mais Amor, Por Favor”: busque qualquer coisa que seu coração pedir, mas busque sem deixar de lado, o distribuir de amor nessa jornada.
Seja a parte boa do mundo que estamos construindo.
Respeite todos os valores e diferenças.
O mundo é muito mais especial por você existir.
Viva feliz!

De Gabi para Alice

Mulher, mãe e desempregada: sou eu

Hoje meu filho chegou da escola com a agenda nova (as aulas começaram em janeiro e passou esse tempo todo com uma provisória).

Quando abri e vi que ele tinha preenchido os dados fiquei orgulhosa!

Colocou que tinha alergia à poeira e no campo doença a considerar escreveu torse.

Responsáveis: nome do pais. Ao lado, em trabalho, ele preencheu com o nome da empresa que o pai trabalha e para mim escreveu nem um.

Comecei a fazer cócegas nele brincando e dizendo: mas rapaz, porque não colocou que eu trabalho aqui no condomínio.

Sei que naquele espaço de 2cm não caberia o tanto de coisas que faço para ganhar um dinheirinho nesses últimos tempos de crise.

Sei também que Théo reconhece todo o meu esforço para dar conta desse “tanto de coisas”.

Um dia antes da minha demissão, um domingo, ele estava deitado para dormir e pediu para eu trabalhar em casa.

Afinal, criança de tempo integral sente falta de “morar em casa” (como ele dizia).

Mas o que eu vou fazer? Biscoitos! Acho que já contei essa história aqui.

E assim, meu filho, aos sete, deu uma aula de empreendedorismo.

Sabores e suspiros (por favor, não usem pois preciso patentear hahaha).

Com direito a slogan: uma explosão de sabor na boca.

Nem receita de biscoito eu tinha, minha gente!

Meses depois achei uma de amido de milho e leite condensado.

Fizemos enroladinhos com goiabada e ficou uma delícia!

Tudo que apareceu ou que eu inventei de fazer quem estava lá?

Uma vez, ele foi para um evento onde eu era expositora.

Tinha um crachá para mim. E o meu? Fez no verso o nome dele.

Sabem feirante, que fica anunciando leve 3 pague 2. Pronto. Era o menino.

Agora só não me perguntem onde ele aprendeu porque eu não sei.

Semana passada, recebi uma encomenda e ficava até de madrugada fazendo.

Quem queria ficar comigo? Não pode, já é hora de dormir. Ele volta com um bilhetinho…

Nós dois de palitinhos com as mãos dadas. 웃웃

De Théo. Para: Carol. Eu te amo mãe. Você é muito divertida e esperta. Boa sorte.

Ontem, na cama, mostrei para ele que a Saraiva estava com desconto em alguns livros.

Se você fosse escolher um livro para mim qual seria. Ele clicou na categoria Mulheres que fizeram história e apontou para Cleópatra.

No São João de 2013, na pescaria, ele escolheu um presente para mim. Um rodinho lilás. Inclusive, super útil para puxar o controle quando cai embaixo do sofá. Também não preciso fazer contorcionismo para limpar por fora as quatro janelinhas da cozinha.

Ser essa mulher louca por limpeza ou sem trabalho não me define tão bem quanto ser a mãe que ganha recadinho de amor do filho.

Ah, e o melhor de tudo! Ele conhece meu gosto literário.

Ei filho, mamãe também está fazendo história!

>>Já passa da meia noite então, usei uma foto que achei da agenda do ano passado só para ilustrar o post.<<